15/12/2014 às 10h44min - Atualizada em 15/12/2014 às 10h44min

Polícia negocia por liberdade de 40 reféns em café da Austrália

No Facebook uma brasileira publicou um post em inglês com as exigências do sequestrador: uma bandeira do Estado Islâmico e uma ligação com o primeiro-ministro

Terra
AFP

A brasileira Marcia Mikhael, proprietária da Fitness 4 Life Australia, é uma das reféns da cafeteria Lindt, em Martin Place, Sydney. Desde às 9h45 da manhã, horário local (8h45, horário de Brasília), cerca de 20 funcionários e clientes estão sendo mantidos reféns de um homem armado, aparentando 40 anos. A polícia, com o apoio de serviços de inteligência, está investigando possíveis ligações do sequestrador com grupos terroristas islâmicos, incluindo o Estado Islâmico.

No Facebook da brasileira e de outros reféns, foi publicado um post em inglês com as exigências do sequestrador: "o envio de uma bandeira do Estado Islâmico e uma pessoa será liberada; falar com o Primeiro-Ministro da Austrália, Tony Abbott, em vídeo-conferência, e cinco reféns serão liberados". O texto pede ainda que "a mídia avise os outros dois irmãos para não explodirem as bombas. Há outras duas bombas no centro da cidade".

Em função do risco de atentado terrorista, o centro da cidade de Sydney parou; ruas foram bloqueadas e prédios foram evacuados logo após o sequestro. Ainda pela manhã, os reféns foram forçados a colocar as mãos para cima junto à janela e levantar uma bandeira com a mensagem: "Não há outro Deus além de Alá, e Maomé é o mensageiro de Deus".

Em sua página no Facebook, Marcia Mikhael avisava aos amigos e familiares que foi sequestrada por um membro do Estado Islâmico. "O homem que está nos mantendo reféns fez exigências pequenas e simples que não estão sendo atendidas. Ele está ameaçando nos matar e precisamos de ajuda agora. Ele quer que o mundo saiba que a Austrália está sob ataque do Estado Islâmico", diz o post. E acrescenta: "Por favor, compartilhe. Ele tem uma arma e uma bomba". A mesma mensagem foi publicada nas páginas de vários reféns.
A comunidade brasileira de Sydney está manifestando apoio à família e aos amigos da brasileira. "Deus, por favor, ajude a Marcia e todos os que estão lá dentro. Estou rezando por você e por todos os reféns. Isto é terrível", declarou Monique Apostle. "Estamos rezando por minha tia e pelos outros reféns, para que eles sejam liberados com segurança", afirmou Christine Mikhael.

Segundo ela, o terrorista está usando o Facebook dos reféns como meio de comunicação. "Isso é só uma forma de o sequestrador amedrontar as pessoas. A polícia está acompanhando todos os acontecimentos", acrescentou Joanne Mikhael. Amiga da família, Yulika Schmerleib concluiu: "Essa situação é muito surreal. Fico extremamente irritada com essas pessoas que usam o nome de Deus para cometer atrocidades. Estou rezando para que tudo acabe bem e que possam ter um Natal feliz".

Seis horas após o início do sequestro, três pessoas saíram por uma porta lateral. Uma hora depois, duas funcionárias deixaram o prédio pela porta da frente. Não se sabe se elas escaparam ou se foram liberadas.

Em setembro, as autoridades australianas elevaram o alerta terrorista para "alto" - devido à possibilidade de possíveis ataques terroristas a cargo de uma só pessoa, pequenos grupos ou grandes organizações - logo após o país enviar 200 soldados para o Oriente Médio. No mês passado, o governo australiano confirmou o envio de tropas para combater o Estado Islâmico no Iraque.


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