25/11/2014 às 10h37min - Atualizada em 25/11/2014 às 10h37min

Sede da Petrobras: a investigação que se arrasta

Câmara Federal tenta apurar gasto com sede da Petrobras em Vitória desde 2011

Gazeta Online

A maioria governista na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados impede, há três anos, que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue por que a sede da Petrobras na Reta da Penha, em Vitória, custou 540% a mais que o valor inicial da obra.

Orçado inicialmente em R$ 90 milhões, o prédio foi concluído por um custo de R$ 580 milhões.

Autor da proposta de fiscalização, o deputado da oposição Rubens Bueno (PPS-PR) espera que, com o escândalo deflagrado pela Operação Lava Jato, a comissão finalmente aprove o pedido de investigação até o fim do ano.

“A proposta não chegou a ser votada porque o relator anterior engavetou. Cedeu a pressões do governo. A obra ocorreu exatamente no período em que se dilapidou a Petrobras, por isso não havia interesse em apurar”, disse Bueno.
O relator de uma proposta é sempre um parlamentar diferente do autor. Bueno disse não se lembrar do relator acusado de engavetador.
Mas de acordo com a mesma comissão em Brasília, o relator era o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). 

Em contato com o escritório de Pereira no Rio de Janeiro, a reportagem não obteve resposta do parlamentar. O deputado, que não conseguiu se reeleger, é filho de Pastor Everaldo, do mesmo partido.
Ironicamente, o pastor, quando era candidato a Presidência da República este ano, defendeu a privatização da Petrobras e usou as acusações de corrupção na estatal na campanha de TV. 
 
Ex-aliado
Antes de seu pai começar a campanha, quando o PSC ainda era base do governo, Pereira deixou a relatoria do pedido de investigação sobre a sede da Petrobras em Vitória. O processo está, desde o ano passado, nas mãos do deputado Edinho Bez (PMDB-SC).
Rubens Bueno tem esperança que Edinho consiga ter apoio do PMDB para aprovar o pedido. “Vamos tentar colocar a proposta em pauta para votar até o fim do ano, com apoio do PMDB. O tempo é curto”. 

No relatório prévio, para justificar o pedido de investigação, Bueno acusou: “A ideia de erguer um prédio por menos de cem milhões de reais foi estrondosamente abandonada”. Mais adiante, o deputado acusa a obra de “superfaturamento”.

Antes que a comissão da Câmara decida se prossegue ou não com a investigação, o Ministério Público Federal no Espírito Santo resolveu abrir investigação. 
Os procuradores vão apurar a atuação das empresas Odebrecht e Camargo Corrêa e de ex-dirigentes da companhia, que atualmente são alvos da Operação Lava Jato.
O objetivo é saber se houve irregularidade nos gastos e enriquecimento ilícito, segundo informou A Gazeta no último sábado.
A nova sede da companhia começou a ser planejada em 2005, quando foi lançado um concurso nacional para a escolha do projeto arquitetônico, vencido pelo escritório paulista Sidonio Porto.
Na época, a estatal pensava em gastar R$ 90 milhões. Procurada pela reportagem para tratar do assunto, a Petrobras não respondeu.
 
PT se cala sobre repercussão da Lava Jato no Estado
Agora que o escândalo da Operação Lava Jato lança sua primeira artilharia em direção ao Estado, a direção estadual do PT se esquiva de lançar pronunciamento sobre o caso.
De acordo com reportagem publicada em A Gazeta no sábado (22), a empreiteira Mendes Júnior, investigada no processo de corrupção, pagou em torno de R$ 5 milhões de propina cobrada pelo doleiro Alberto Youssef durante a construção do terminal aquaviário de Barra do Riacho, uma obra da Petrobras já concluída e localizada em Aracruz.
A informação sobre a propina foi confirmada pelo vice-presidente da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, em depoimento à Polícia Federal.
Até o fim da campanha eleitoral, um dos focos do PT era exaltar os investimentos federais no Estado para cumprir a meta de reeleger Dilma Rousseff. 
Mas nesta segunda-feira (24), o presidente estadual do PT, João Coser, informou por meio de sua assessoria de imprensa, que não tinha “nada a declarar” sobre o assunto.
Ainda segundo a assessoria de imprensa do partido no Estado, não houve qualquer orientação da Executiva Nacional do PT para seus colegas capixabas sobre como responder a questionamentos sobre a Operação Lava Jato.
Também informou que não houve reuniões internas para tratar do assunto.
Já a senadora petista Ana Rita Esgário, por sua vez, não retornou à reportagem até o fechamento da edição.
Semana passada, Ana Rita votou contra a quebra de sigilo de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT acusado no esquema de corrupção na Petrobras.
Na ocasião, ela respondeu que votaria pela quebra apenas com a condição de investigar também partidos da oposição.

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