18/06/2020 às 16h55min - Atualizada em 18/06/2020 às 16h55min

Mais um médico morre por COVID-19 no Espírito Santo

Da Redação

Morreu na madrugada desta quinta-feira (18) o médico anestesista Vinícius Barbosa Santos, de 44 anos, vítima da Covid-19. Atualmente, o profissional atuava na linha de frente do combate ao coronavírus em três hospitais da Grande Vitória. Ele estava internado há três dias no Hospital Meridional, em Cariacica. Com obesidade e hipertensão, o médico narrava aos colegas o medo que sentia da doença.

De acordo com o presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Espírito Santo (Saes), Wellington Pioto,  Vinícius já demonstrava preocupação com o coronavírus desde o início da pandemia. O médico sofria com obesidade e hipertensão. Por isso, decidiu sair da casa dos pais em março deste ano para não colocá-los em risco.

MÉDICO RELATAVA MEDO DO CORONAVÍRUS

“Desde fevereiro que ele estava com muito medo e me ligava. A Sociedade realiza várias ações com apoio psicológico, materiais e treinamento aos associados.  Mas o que pouca gente sabe é que o anestesista faz a primeiro atendimento em caso de internação por Covid-19, no que chamamos de time de primeira resposta, tendo contato direto com os pacientes. Ele ficava preocupado porque era do grupo de risco, obeso e hipertenso, mas não tinha o que fazer. Ele chegou a se afastar, mas se não trabalhasse, não recebia nada e a dificuldade financeira chega”, conta.

Muito abalado, o também médico anestesista Washington Freitas, que era amigo pessoal da vítima, contou que Vinícius sentiu os primeiros sintomas da Covid-19 na última semana. No dia 8 ele ligou para o colega avisando que foi ao hospital e recebeu afastamento do trabalho por 14 dias, sendo liberado para o tratamento em casa.  Mas dias depois, o anestesista pirou, retornando ao hospital.

“Ele ficou internado por três dias no CTI do Hospital Meridional. Mas não melhorou, precisou ser entubado e acabou tendo uma parada cardíaca. Ontem ele já estava muito mal. Ele morreu por Covid-19 e, com certeza, foi infectado no ambiente hospitalar. Estamos muito abalados. Fizemos residência juntos e ele foi meu padrinho de casamento. Estávamos um pouco afastados porque estamos trabalhando sem parar. Ele morava com os pais e  uma filha, que é criança. A família era a única coisa que o deixava largar um plantão” contou.

Ainda de acordo com Washington, Vinícius se formou em 1999, terminou a residência em 2003 e em 2004 começou a atuar como anestesista. Atualmente, ele trabalhava no Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, além do Hospital Infantil de Vitória e Hospital Infantil de Vila Velha.

Fonte: A Gazeta

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