28/01/2015 às 20h47min - Atualizada em 28/01/2015 às 20h47min

Governo anuncia: vai limitar uso da água

Conjunto de medidas atingirá setores industrial e agropecuário

Gazeta Online
Desolação: a estiagem alcançou fortemente um braço da Represa de Rio Bonito, localizada no Distrito de Recreio, em Santa Maria de Jetibá. No local, onde o volume de água era expressivo, restou apenas a lama. - Foto: Gerson Hartwig - GZ

Os impactos que a estiagem vem causando ao Espírito Santo levaram o governo a declarar, nesta terça-feira (27), existência de “cenário de alerta”. A decisão vem acompanhada de um conjunto de medidas, com restrição do uso de água, que atingem, principalmente, grandes consumidores: os setores industrial e agropecuário.

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) garante que não haverá restrições ao consumo humano. “Neste momento não há previsão”, disse seu diretor-presidente, Robson Monteiro. Mas foi recomendado às prefeituras que adotem, com urgência, medidas que penalizem e proíbam o desperdício.


Para o setor agropecuário – que já acumula prejuízo de R$ 1,39 bilhão, segundo o governo – também houve fortes restrições. Irrigações vão ter que ser reprogramadas ou enfrentar sistemas de rodízio, inclusive noturno.

Também foi recomendado a suspensão imediata da concessão de crédito agrícola para a implantação de novos sistemas de irrigação e a concessão de outorgas para uso da água dos rios. A exceção é para as que se destinem ao abastecimento humano.

As ações são validadas no que vem sendo apontado como a pior crise hídrica dos últimos 40 anos. Embora a situação seja crítica em todo o Estado, é ainda pior na Grande Vitória, onde o nível dos rios que abastecem a região está em, no máximo, 14% do volume de água esperado para o período.

Carnaval
A sinalização é de que, se não chover nas próximas semanas, poderá faltar água no Carnaval na Região Metropolitana. Dentre as áreas mais afetadas estão Guarapari, a parte continental de Vitória e Serra. “Uma região que nos preocupa pelo contingente populacional. É onde se concentra mais da metade da população estadual”, pondera Monteiro.

 

Região onde também estão localizadas duas grandes empresas – ArcelorMittal e Vale – que vão ter seu consumo de água contingenciado. Um corte que pode inclusive vir a ser ampliado nos próximos meses, já que a prioridade legal para o abastecimento destina-se ao consumo humano e animal.

Dos três rios que abastecem a Região Metropolitana – Jucu, Benevente e Santa Maria da Vitória –, o último apresenta a condição mais precária. Está com vazão de 3,5 mil litros por segundo. Em condição normal, seu volume seria de 35 mil litros por segundo.

Há informações inclusive de que, em se mantendo um cenário de absoluta falta de chuva nos próximo meses, quando terminar o chamado período chuvoso, o volume de água nos rios só garantiria o abastecimento humano até o mês de julho.

Mais rigor
Não foram descartadas a adoção de medidas mais severas nas próximas semanas, até a decretação de estado de emergência, se o cenário se agravar e o volume dos rios voltarem a baixar ainda mais. “A luz amarela não está só acesa, mas piscando”, alertou Monteiro.

Ele adiantou que estudos já estão sendo desenvolvidos para, se necessário, lançar mão de captação água do rios Reis Magos e até do Doce para abastecer a Grande Vitória. “Caso o cenário de falta de chuva persista ao longo do mês de fevereiro”, destaca Monteiro.

O problema é que o Rio Doce também enfrenta dificuldades graves. Está com 12% de sua vazão. E a perspectiva, segundo Monteiro, é de que a escassez de chuva se estenda até meados de fevereiro.

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