15/01/2015 às 13h11min - Atualizada em 15/01/2015 às 13h11min

Presa policial acusada de atirar em deficiente que fugiu de abordagem em Cariacica

A militar foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio e está no quartel da Polícia Militar, em Maruípe. Ela responderá a processos na Justiça e na corporação

Folha Vitória

A policial militar acusada de atirar em um deficiente mental, após ele correr de uma abordagem, foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio e está presa no quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. Ela responderá a um processo criminal na Justiça comum e processo administrativo na corporação.

O caso aconteceu por volta das 18 horas de terça-feira (13), no bairro Santo André, em Cariacica. Felipe Hebert Lopes Neves, de 23 anos, havia saído de casa, no loteamento Flor do Campo, e seguia para uma igreja, onde encontraria alguns amigos, quando foi abordado pela polícia.

Segundo vizinhos, a policial pediu para que ele levantasse a camisa. Assustado, o rapaz saiu correndo e foi atingido pela militar com um tiro nas nádegas, que saiu pelo abdômen. A mãe de Felipe, a professora Gleidimara Lopes dos Santos, não entende por que a policial militar atirou.

"É muito estranho. Em momento algum foi um procedimento de um policial, que está buscando um bandido. Já que ela achou que ele fosse bandido, quando ele correu, ela devia correr atrás", ressaltou. 

Ainda segundo as testemunhas, após o incidente a viatura da PM foi embora sem prestar socorro à vítima. De acordo com o corregedor da Polícia Militar, coronel Ilton, essa informação está sendo investigada.

"Nós tivemos a informação inicial de que ela e o parceiro teriam deixado o local estando a vítima baleada. Mas as informações que eles prestaram foi de que, após os disparos, a vítima conseguiu fugir das vistas dos policiais e eles resolveram retornar ao comandante da companhia deles, não só para informar o que estava acontecendo, como também para pedir ajuda. A gente tem a informação de que a vítima foi socorrida por uma outra guarnição, determinada pelo Ciodes. Queremos então esclarecer se houve realmente omissão de socorro por parte dos policiais", ponderou o corregedor da PM.

Com relação ao tiro efetuado contra o rapaz portador de necessidades especiais, o coronel diz que o disparo pode ter sido em legítima defesa.

"Constantemente nossos policiais estão sendo alvos de disparos de armas de fogo e de pessoas que estão sendo abordadas com simulacros de armas. Então, em alguns casos, pode acontecer de um polciial entender que está sendo alvo de uma reação agressiva e tentar vencer essa agressão. Isso inclusive está previsto dentro da legislação penal, que é a legítima defesa putativa", ressaltou

Após o incidente, Felipe foi socorrido e levado para o hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, onde passou por uma cirurgia no local do ferimento. O rapaz já esta em casa e passa bem. 

"Estamos mais tranquilos agora. Sabemos que ele está bem. Mas o médico pediu para voltarmos ao hospital caso aconteça algo anormal. Mas até o momento está tudo bem", frisou a mãe de Felipe, mais aliviada.

Segundo familiares, ele teve meningite quando tinha 1 ano, o que o deixou com sequelas, deixando-o com incapacidade total de responder por suas decisões. De acordo com o pai da vítima, o encarregado de serviços gerais, Valter Silva dos Santos, de 39 anos, Felipe sempre teve medo de polícia. Ele conta que o filho gosta de ficar na rua com amigos, mas sempre se assusta ao ver um policial e corre para casa.


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