09/03/2021 às 14h44min - Atualizada em 09/03/2021 às 15h20min

A Saúde deve ser prioridade no Brasil, diz AHF

DINO

O desdobramento da crise humanitária no Brasil como resultado de uma resposta mal administradaàCOVID-19 tem como consequência um elevado custo em vidas e meios de subsistência dos brasileiros quando os políticos não conseguem enfrentar a realidade dos fatos em uma emergência de saúde pública. A AIDS Healthcare Foundation (AHF) defende que a saúde seja prioridade acima de todas as outras preocupações no Brasil.

Com o terceiro maior número de casos COVID-19 do mundo, o panorama atual do Brasil é sombrio; no entanto, não somos obrigados a manter este rumo. Na verdade, temos a obrigação de mudar de rumo antes que a pandemia ceife milhares de vidas brasileiras a mais.

Apresentamos aqui um breve relato de como chegamos a este ponto e o que deve ser feito para colocar o país no caminho da recuperação e ajudar a reduzir o impacto entre os países latino-americanos.

No Brasil, o número de vítimas da pandemia é superior a 10,5 milhões e com quase 270 mil mortes. Em um país de 212 milhões, com um setor de saúde robusto, um amplo Sistema Único de Saúde (SUS) e uma vasta experiência na condução de campanhas de vacinação em todo o país, a situação atual do SARS-CoV-2 é simplesmente incompreensível e inaceitável.

As negociações com empresas para a obtenção de vacinas e outros suprimentos estão muito atrasadas, até agora, o Brasil está longe de garantir vacinas suficientes para toda população. Além disso, mensagens inconsistentes e contraditórias só têm servido para confundir a comunidade e piorar a situação.

O Brasil só conseguiu acessar 14,7 milhões de doses de vacina, vacinando menos de 4% de sua população. Graças ao Butantan e a Fiocruz, que inicialmente importaram 8 milhões de vacinas da China e da Índia. Apesar da grande capacidade de produção farmacêutica do país, apenas 6,7 milhões foram fabricados localmente, devido aos muitos obstáculos impostos às importações do IFA (ingrediente farmacêutico ativo).

Como resultado de atrasos e decisões que foram contra as boas práticas de saúde pública, o Brasil perdeu o acesso ao que seria cerca de 316 milhões de doses de vacina combinadas entre as quantidades oferecidas pela COVAX e pela Pfizer, o suficiente para vacinar aproximadamente 78% da população do país. Isto teria dado aos institutos nacionais de pesquisa Butantan e Fiocruz tempo suficiente para produzir o restante das vacinas para cobrir toda a população.

À beira do colapso sob a pressão de milhões de pacientes gravemente enfermos, o sistema de saúde tem que enfrentar a escassez de oxigênio, a falta de leitos hospitalares, trabalhadores exaustos ou doentes da linha de frente e novos picos de infecção, desta vez com uma nova variante do SARS-CoV-2 que surgiu recentemente em Manaus, Amazonas.

É imperativo que os esforços de vacinação sejam acelerados e estrategicamente direcionados primeiro para as comunidades mais afetadas. Nossa única chance de superar e combater o perigo de novas variantes do SARS-CoV-2 é vacinar o maior número possível de pessoas no menor período possível.

Considerando o fornecimento limitado de vacinas e a natureza em forma de ondas da COVID-19 com aumentos repentinos em diferentes comunidades, as decisões sobre quem vacinar, incluindo onde e quando, devem ser informadas e dirigidas por epidemiologistas, imunologistas, especialistas em doenças infecciosas e equipes técnicas do Programa Nacional de Imunização. Até que a oferta de vacinas atinja a demanda nacional, distribuir as doses disponíveis em quantidades muito pequenas em todo o país não é tão eficaz quanto focalizar em pontos críticos como Manaus e populações prioritárias como os trabalhadores da linha de frente da saúde e população idosa.

A comunidade internacional deve se unir no apelo aos líderes brasileiros para que façam tudo ao seu alcance para garantir que o país tenha vacinas suficientes para toda a população; isto significa estar disposto a negociar, colaborar e envolver-se com parceiros internacionais e iniciativas globais como a COVAX, enquanto aumenta os investimentos de capital e recursos humanos na capacidade nacional de produção de vacinas.

No entanto, as vacinas por si só não serão sozinhas a resposta para a COVID-19. Supondo que o Brasil obtenha quantidades suficientes de vacinas para toda a população nos próximos meses, dado o tamanho e o distanciamento de algumas partes do país, levará um tempo considerável para vacinar uma proporção suficiente da população para controlar a COVID-19. A campanha de vacinação mal começou, e vem ficando claro que existe um risco de as novas cepas do coronavírus driblarem os anticorpos produzidos pelas vacinas atuais.

Portanto, além de desenvolver uma sólida campanha de vacinação, é urgente uma campanha de prevenção nacional unindo esforços nos 3 níveis de governança do SUS (Federal, Estadual e Municipal) comprometendo-se a incentivar, promover e fazer cumprir as medidas de controle de infecções de saúde pública baseadas em evidências. O uso consistente e universal de máscaras de proteção facial continua sendo absolutamente essencial para impedir a propagação da COVID-19, especialmente porque é a coisa mais eficaz e imediata que as pessoas podem acessar por si mesmas para se protegerem e protegerem aqueles ao seu redor. O uso da máscara deve ser acompanhado por higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel e distanciamento social. Juntos, esses esforços de prevenção, juntamente com orientações sobre diagnóstico, tratamento e vacinação, devem ser padronizados sob o comando de uma força-tarefa nacional.

Infelizmente, até agora não há cura científica ou "pílula mágica" para a COVID-19, e o pensamento mágico não fará desaparecer a pandemia. Tudo em que podemos confiar é em nossa determinação de enfrentar a terrível verdade do momento e nos comprometermos com uma longa e difícil luta com as ferramentas baseadas em evidências que temos, ou seja, compaixão por nossos semelhantes, medidas de prevenção e controle de infecções, vacinas e confiança na ciência.

A AIDS Healthcare Foundation (AHF), maior organização global de AIDS, atualmente fornece cuidados médicos e/ou serviços para mais de 1,5 milhão de pessoas em 45 países, incluindo os Estados Unidos e nações da África, América Latina/Caribe, Região Ásia/Pacífico e Europa. Para saber mais sobre a AHF, visite nosso site: www.aidshealth.org, encontre-nos no Facebook: www.facebook.com/aidshealth e siga-nos no Twitter: @aidshealthcare e Instagram: @aidshealthcare


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Terri Ford, Chief of Global Advocacy & Policy, AHF

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Fonte: BUSINESS WIRE
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