28/08/2015 às 18h15min - Atualizada em 28/08/2015 às 18h15min

Soldado acusado de matar a namorada a tiros é expulso da Polícia Militar

Folha Vitória

O soldado Itamar Rocha Lourenço Júnior, acusado de matar a namorada, Ana Clara Cabral, de 19 anos, em fevereiro deste ano, foi expulso da Polícia Militar. A decisão foi publicada no boletim da corporação nesta quinta-feira (27).

A PM considerou que o militar é culpado das acusações de praticar violência ou qualquer outro ato que denigra a imagem da corporação e ter conduta incompatível com os princípios da hierarquia, ética e valores militares. Itamar também respondia por desrespeitar regras de trânsito em via pública, com veículo particular, mas foi absolvido de tal acusação.

De acordo com a decisão, o soldado apresentou "uma conduta totalmente incompatível com os valores, a ética, a honra, o decoro, o pundonor militar, a hierarquia e a disciplina castrense". Além disso, a publicação afirma que "a conduta do acusado é gravíssima e colide com a doutrina adotada pela Polícia Militar e com as políticas públicas de segurança adotadas pelo Comando da Instituição".

"Os autos trazem provas contundentes de que a conduta do Sd Itamar denegriu a imagem da Corporação, uma vez que o caso gerou elevado clamor social, sendo manchete de todos os principais jornais impressos do Estado, sendo destaque na televisão, rádios, sítios (sites) da internet, redes sociais, tendo inclusive sido noticiado na imprensa nacional", diz a decisão.

Segundo a decisão, ficou provado que Itamar, além de ter assassinado Ana Clara, ainda agredia a jovem
Foto: ​Reprodução

A PM considerou ainda que o militar "atingiu não só o nome e a imagem da Corporação, mas também de todos os policiais militares, uma vez que maculou o bom nome da PMES". 

"Assim, a ação criminosa perpetrada pelo Sd Itamar atingiu não apenas a vítima Ana Clara, mas também a imagem, a honra e o decoro de toda
classe policial militar, que se sentiu envergonhada pela prática hedionda de um integrante da Corporação, o qual não merece continuar fazendo parte
dela. Desta feita, é patente a inadequação de sua conduta com os deveres da carreira policial".

Sobre as acusações de que Itamar, além de ter assassinado, ainda agredia Ana Clara, a decisão diz que as provas apresentadas durante o processo que ele respondia na Corregedoria da Polícia Militar "demonstram de forma inequívoca, irrefutável e peremptória que o Militar, antes do homicídio, já praticava violência, física, moral e psicológica, contra sua namorada Ana Clara Félix Cabral, conduta inaceitável para um policial militar, no qual a sociedade espera um comportamento exemplar e equilibrado".

O crime

Ana Clara foi morta a tiros em fevereiro deste ano
Foto: ​Reprodução

O corpo da jovem Ana Clara Cabral foi encontrado na noite do dia 5 de fevereiro, às margens da Rodovia do Contorno, em Cariacica. Ela estava desaparecida desde a madrugada do mesmo dia, após ter saído com Itamar.

Horas após o crime, o policial teria indicado a um amigo onde estava o corpo da jovem. O militar foi levado para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi ouvido pela Polícia Civil, que não teve dúvidas de que ele era o culpado pela morte de Ana Clara. Em seguida, ele foi preso e levado para o Quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória.

Inicialmente, Itamar Junior havia dito que foi abordado por dois homens armados ao sair do motel. Segundo o policial, os supostos bandidos o renderam e roubaram o carro, levando a namorada, a arma e os pertences do policial. 

O carro do PM foi encontrado na manhã desta quinta-feira, no bairro Nova Rosa da Penha, em Cariacica, com marcas de tiros. De acordo com policiais, as marcas indicam que os disparos foram feitos de dentro para fora do veículo. No interior do carro também foram encontradas marcas de sangue. 

PM tinha passagem pela justiça

O soldado já teve passagem pela polícia. Ele foi investigado por uso de carro clonado e receptação. O policial militar foi flagrado em março de 2011 dirigindo um carro com placas de Niterói, estado do Rio de Janeiro, que tinha restrição de roubo. 

O veículo foi localizado com Itamar Junior, em Jardim Camburi, em Vitória, depois de uma investigação da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Na época, o PM alegou que tinha comprado o carro de um conhecido da família sem saber que era roubado. 

A versão não convenceu o delegado Antônio Coutinho, já que Itamar era lotado no Batalhão de Trânsito e tinha meios de conferir se o veículo tinha restrição. O soldado chegou a ser autuado por receptação e encaminhado para o Quartel de Maruípe. Mas, ao que tudo indica, continuava trabalhando normalmente nos quadros da PM.


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