16/06/2020 às 14h03min - Atualizada em 16/06/2020 às 14h03min

Banestes já liberou R$ 164 milhões em créditos para o enfrentamento da covid-19; maior parte foi para médias e grandes empresas

Alguns empresários e trabalhadores informais que não conseguiram o crédito reclamam de burocracia para ter acesso aos empréstimos

Da Redação
 

Desde o início da pandemia do coronavírus, o Banestes disponibilizou quatro linhas de crédito para empresas e empreendedores solicitarem empréstimo. Até o momento, mais de R$ 165 milhões foram liberados. Mas a maior parte desse dinheiro não foi para os microempresários e trabalhadores informais.

Dois microempresários de Cariacica, o cabeleireiro Antony Oliver e o distribuidor de cosméticos Alessandro Audaz, recorreram ao Banestes para obter crédito facilitado, mas não conseguiram o benefício.

"Nós ficamos quase uma semana só preenchendo documentação, para enviar ao banco. Fizemos de tudo, tudo certinho, mas eles negaram", disse Alessandro.

O dinheiro seria importante para amenizar os problemas com a crise provocada pela pandemia. Os empreendedores consideram que houve excesso de burocracia por parte do banco. 

"A gente precisava desse dinheiro para pagar as contas, pagar aluguel e funcionários, e também fazer investimentos. Nós preenchemos tantos documentos, tantas coisas, e nem assim recebemos o crédito", disse Antony.

Apesar das reclamações, o diretor presidente do Banestes avalia que a maioria das empresas que procuram o banco consegue a liberação do dinheiro. Segundo José Amarildo Lovatti, a exigência de documentos é estabelecida pelo Banco Central para todo o país.

"O que o governo está fazendo é uma coisa inédita, de criar um sistema de garantia, para esses empréstimos, porque os trâmites eles precisam ser cumpridos. A gente depende da legislação do Banco Central, ou seja, uma série de regras que os bancos precisam cumprir", disse Lovatti.

Segundo o levantamento divulgado, até a última sexta-feira, o Banestes emprestou cerca de R$ 164 milhões em 4 linhas de crédito voltadas para o enfrentamento da pandemia. A que liberou mais dinheiro foi a que atende as médias e grandes empresas, que corresponde a 85% do total, quase R$ 143 milhões. A segunda linha que mais liberou dinheiro foi para capital de giro de empresas de pequeno porte, com cerca de R$ 15 milhões. 

A terceira linha é voltada para autônomos, MEIs e micro-empresas, para os quais o banco liberou R$ 6.250.000,00 em cerca de 1.300 contratos. Outros 1.200 estão próximos da liberação, e há mais de sete mil pedidos ainda em avaliação. O presidente do banco disse que entre os autônomos, um empecilho para a aprovação é a falta de registro da atividade profissional junto aos órgãos competentes.

"A gente vê de pequenas a grandes empresas conseguindo seu crédito, passando por esse momento difícil, mas alguns também afirmam que é burocrático, mas não é... você precisa ter uma documentação para apresentar, abrir sua conta, fazer seu cadastro direito, até para que você consiga as melhores linhas de crédito, para você conseguir as taxas menores e adequadas a seu perfil",  explicou Lovatti.

A quarta e última linha de crédito do Banestes para o combate à covid 19 é exclusivamente para o pagamento de salários dos funcionários de micro e pequenas empresas. Até a última sexta-feira, 37 empresas aderiram, com liberação de pouco mais de R$ 380 mil.


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