31/10/2017 às 11h05min - Atualizada em 31/10/2017 às 11h05min

PSDB: nem apelo de Tasso evita disputa entre Max e Colnago

Briga por comando regional foi parar na mesa do presidente nacional do partido

Gazeta Online
César Colnago e Max Filho em reunião do PSDB, em Vitória, no início de outubro. Agora, estão em lados opostos

Nem o presidente nacional interino do PSDB, o senador cearense Tasso Jereissati, conseguiu segurar o racha na disputa interna pelo comando do PSDB capixaba. De perfil moderado, o dirigente reuniu os candidatos adversários Max Filho e César Colnago, em Brasília, na noite de ontem, mas ambos se negaram a retirar a candidatura alegando que já estão comprometidos com seus respectivos apoiadores.

Como pano de fundo, a briga transpira reflexos da sucessão estadual de 2018, já que o vice-governador Colnago quer manter o partido na órbita de seu antigo aliado Paulo Hartung (PMDB), de quem o prefeito de Vila Velha sempre manteve distância. Hartung é cotado para a reeleição, e Max tem franca parceria com a senadora Rose de Freitas (PMDB), que pretende concorrer ao governo.

Também estiveram presentes na reunião Luiz Paulo Vellozo Lucas e o senador Ricardo Ferraço, a quem Tasso sugeriu esse encontro com as lideranças regionais em busca de algum acordo que evite ainda mais fraturas expostas. Ferraço foi escalado pelo grupo para falar com a imprensa. “A conclusão é que, mesmo sendo uma conversa muito cordial e muito civilizada, Max e Colnago preferiram manter as candidaturas dentro de um ambiente respeitoso, e é assim que deve ser”, resumiu o parlamentar.

Indagado se nem os apelos de Tasso foram suficientes, o senador minimiza os conflitos e ressalta a relação de amizade entre os concorrentes, apesar da corda esticada. “Não é questão de apelo suficiente. Max e Colnago acham que as candidaturas não pertencem a ambos, mas aos apoiadores. Foi uma conversa muito cordial, elegante. Os dois são amigos e esta é uma coisa circunstancial”, disse.

Ferraço, no entanto, esperava um consenso. “Fizemos o que foi possível no sentido de tentar construir essa convergência. Não foi possível. Vamos tentar fazer essa convergência no day after, no dia seguinte à eleição.”

Os tucanos capixabas também discutiram os dilemas nacionais do PSDB. Numa rodada de reuniões, Tasso tem reunido os caciques regionais de vários Estados onde há conflito, ao passo em que também busca apoio para se eleger presidente efetivo do PSDB nacional depois do afastamento de Aécio Neves (MG).

Em Brasília, aliás, Ferraço tem estreitado laços com Tasso. Numa conversa na semana passada, o presidente interino fez apelos para que o colega capixaba não se licenciasse do mandato, mas Ferraço manteve a decisão. Tasso conta com o aliado para permanecer na presidência nacional do partido, em processo eleitoral marcado para dezembro. Depois de coordenar a campanha presidencial de Aécio Neves no Estado em 2014, Ferraço declara que há tempos não conversa mais com o senador mineiro, de quem defendeu o afastamento judicial, depois revertido por decisão do próprio plenário do Senado.

“Na sexta-feira, o Tasso me ligou para trocar ideia sobre o quadro nacional e me perguntou como estavam as coisas do PSDB do Espírito Santo. Eu fiz o relato e ele sugeriu conversamos com César e Max, que concordaram”, afirmou Ferraço antes da reunião de ontem, sem responder nada em relação a desfechos possíveis ou algum consenso. Procurada durante todo o dia, a assessoria de Tasso não deu retorno à reportagem. Deu retorno apenas às 22h20, avisando que quem falaria com a imprensa seria Ferraço. Luiz Paulo também informou que o senador é que falaria em nome do grupo.

Nove prefeitos declaram apoio a Colnago

A disputa interna no PSDB rendeu até almoço para reforçar apoio a César Colnago. Ontem, nove prefeitos tucanos, todos do interior, assinaram uma mensagem de apoio à candidatura do governador em exercício à presidência estadual do partido. Os prefeitos organizaram em Vitória um almoço com Colnago, do qual participaram o deputado estadual Marcos Mansur e os secretários estaduais Vandinho Leite (Ciência e Tecnologia) e Octaciano Neto (Agricultura).

O núcleo governista tentou passar recados de força, mas Max Filho não se intimidou. O prefeito de Vila Velha passou o dia em agendas em Brasília e não quis polemizar o movimento dos prefeitos alinhados ao governo.

“É uma manifestação democrática deles. Vim a Brasília atendendo a um pedido de Ferraço para ouvir o Tasso, presidente nacional, com objetivo de ouvir o que ele tem a dizer. Vou lá conversar, aceito o diálogo, não vou me esquivar”, frisou o prefeito.

Participaram do encontro com Colnago os prefeitos Amanda Quinta (Presidente Kennedy), Geraldo Loss (Governador Lindenberg), Bruno Araújo (Pedro Canário), Sérgio Murilo Coelho (Ponto Belo), Chicão (Conceição da Barra), João Altoé (Vargem Alta), Daniel da Açaí (São Mateus), Alessandro Broedel (Sooretama) e Carlos Henrique (Irupi). O grupo se ofereceu para compor a chapa.

Max Filho, vale lembrar, teve a filiação barrada ao PSB quando o então governador Renato Casagrande pretendia tê-lo como aliado na composição de chapas em 2014. Devido à pressão, Max não entrou no partido e acabou indo para o PSDB, no qual ganhou visibilidade a ponto de ameaçar a liderança de Colnago.


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