21/08/2015 às 20h46min - Atualizada em 21/08/2015 às 20h46min

A nova capital dos caminhões do ES

Aqui ES

O Espírito Santo ainda caminha pelas estradas. Com cerca de 1,585 milhão de veículos, o estado tem cerca de 68 mil caminhões, cuja distribuição mudou um pouquinho nos últimos anos. Aliás, mudou muito. A capital do veículo pesado de carga, caminhão, deixou de ser Iconha, que era a cidade que mais tinha caminhão por habitante e passou a ser Santa Maria de Jetibá.

Levantamento realizado pelo jornal Aqui Notícias, do grupo Folha do Caparaó, com base nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Departamento de Trânsito do Espírito Santo (Detran), mostram que a cidade que fica a 700 metros de altitude, na região Centro-Serrana do Estado, tem 2.479 caminhões registrados, o que vai dar o índice de 0,064 veículos por cada habitante. A cidade tem população estimada de 38.290 moradores.

No caso, Iconha, que tem a festa dos caminhoneiros, com a fama de ser a cidade que tem mais caminhões está no segundo posto do ranking estadual. Continua a ser a cidade que mais tem veículos de carga circulando, mas não é a líder. Iconha tem 13.669 habitantes ante 793 caminhões, o que equivale ao número de 0,058 veículos por habitante.

A explicação, segundo fontes do Detran, é a de que boa parte da frota das empresas que têm sede no município é registrada em outros locais, embora sejam ainda as companhias que mais empregam pessoas na cidade pela qual a BR 101 passa.

Outras cidades

Seguem o ranking elaborado pelo jornal Aqui, seguem a lista das cidades com mais caminhões no Estado por habitante Marechal Floriano, com 0,048; Santa Leopoldina, com 0,037; e empatados Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, com 0,036. Na região, Castelo ocupa a décima posição, com 0,033. Presidente Kennedy está em 13º lugar com 0,031 caminhões por habitante empatado com Rio Novo do Sul e Ibiraçu. Marataízes está em 18º lugar com 0,028, empatada com Vila Valério. Bom Jesus do Norte vem em seguida, no 21º lugar, com 0,025 habitante por caminhão. Está no mesmo nível que Vargem Alta, apesar de ter menos da metade dos veículos em circulação. Isso porque a divisão é comparativa.

Cachoeiro de Itapemirim, que tem 206.973 habitantes e depende, ainda, do transporte rodoviário para escoar sua produção de pedras ornamentais, vem em 23º lugar, com 5.118 veículos e índice de 0,024. Guaçuí é a 30ª colocada com 0,021 habitante por caminhão.

Virada veio do pequeno agricultor

Santa Maria do Jetibá é uma cidade serrana, cujo ponto mais elevado é a Pedra do Garrafão, com 1 450 metros de altitude. É o quinto município mais elevado do Estado e tem sua economia baseada na agricultura. Foi esta atividade que fez crescer o número de caminhões neste Estado. Basicamente formada por pequenos agricultores, a parte produtiva da cidade resolveu se tornar independente das transportadores e praticamente cada um passou a ter seu próprio veículo. Segue os dados e já envio as fotos, daqui há pouco.

O próprio secretário de Comunicação de Santa Maria de Jetibá, Anderson Percílios, tem seu caminhão. “Também sou produtor rural e viveirista. Tenho uma pequena propriedade e dois viveiros onde comercializo plantas em geral. Preciso do caminhão para realizar o transporte entre os viveiros, que ficam em municípios distintos e também para fazer entregas. Realizo todo este serviço aos sábados e domingos e quando há necessidade contrato motorista diarista”, disse.

Percílios não negou na entrevista que fez com a reportagem de assistir de perto o desenvolvimento do município cuja população é basicamente formada por pomeranos, vindos no norte da Alemanha. “Hoje somos um dos municípios com a melhor reforma agrária do País. A maioria mora no interior, é pequeno produtor. Temos mais de 6 mil pequenas propriedades, onde cerca de mil famílias vivem com uma área menor que 3 hectares. Temos atualmente 4300 inscrições de produtores rurais, com nota fiscal”, disse orgulhoso.

Só este fato já justificaria o fato do município da Serra ter mais caminhões por habitantes, mas a grande mola propulsora foi a produção. Percílios conta que no município produz-se de tudo, apenas com trabalhadores da própria família, sem ajuda de funcionários. “Basicamente tudo que se come é produzido no município em relação aos hortifrutigranjeiros. A produção anual gira em torno de 250 a 300 mil toneladas de produtos. A produção do município é responsável por 40% no abastecimento do Ceasa-ES”, explicou.

Falou em chuchu, falou em Santa Maria de Jetibá, que responde por 30% da produção nacional, além de 52% da produção de morangos, segundo dados fornecidos pelo secretário.

“Também somos o maior produtor de gengibre no Estado e exportamos para diversos países”, disse acrescentando que Santa Maria de Jetibá é referência no Estado na produção de orgânicos, com certificação no Ministério da Agricultura.

Resta saber quais os efeitos econômicos da parcela do IPVA paga pelos caminhões para cada município. Menos carros registrados, menor arrecadação. No caso de Santa Maria, que concentrou a produção e os meios de transporte.


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