04/08/2015 às 14h17min - Atualizada em 04/08/2015 às 14h17min

Escelsa quer aumento de 36% na conta de luz

Reajuste será definido hoje e aplicado nas contas a partir de sexta

Gazeta Online

Desde o início do ano, o consumidor vem sendo surpreendido quando recebe a fatura de energia em casa. De janeiro para cá, a conta ficou cerca de 40% mais cara. Mas, os aumentos não param por aí.

Uma nova alta para praticamente todo o Estado será anunciada hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pode chegar a 36,41%. O novo valor já vai começar a valer a partir de sexta-feira.
Os 36,41% é o percentual médio que a EDP Escelsa – que atende a 70 municípios capixabas e 1,38 milhão de clientes – solicitou ao governo federal para aplicar como reajuste ordinário, historicamente anunciado no início de agosto.
A partir do pleito da concessionária, a Aneel avalia se autoriza todo o valor solicitado ou se concede um reajuste menor.
Para isso, calcula a variação de custos que a empresa teve no ano.
O cálculo, segundo a agência, inclui custos típicos da atividade de distribuição, sobre os quais incide o IGP-M, e outras despesas que não acompanham necessariamente o índice inflacionário, como energia comprada, encargos de transmissão e encargos setoriais.
“Mesmo que a solicitação de reajuste médio de 36,41% seja aceita pela Aneel, não necessariamente este será o valor para o consumidor residencial. Já que, tradicionalmente, o aumento para as casas é um pouco inferior ao reajuste médio”, explica a professora do Departamento de Engenharia Elétrica e coordenadora do Curso de Engenharia Elétrica da Ufes, Carla César Martins.
A pedido da reportagem, a professora fez um cálculo que mostra o impacto que a energia vai ter no bolso das famílias caso esse reajuste médio seja aprovado na sua totalidade. “Considerando que desde o último reajuste ordinário houve um aumento extraordinário e teve a cobrança de bandeira tarifária vermelha, com o aumento de agora, a fatura ficará nesse período 83,46% maior”.
Política
Para Carla, o elevado custo que o consumidor está tendo nesse segmento é fruto de uma má gestão da política energética brasileira. Segundo ela, desde 2012 os levantamentos e análises mostravam que o país enfrentaria um período hídrico difícil, mas que em função das eleições, o governo federal tomou decisões equivocadas, como reduzir em 20% a conta de luz e ainda incentivar o consumo.
O diretor da Delos Consultoria, Martin Salvati, frisa que, além da seca e da utilização das termelétricas, que são caras para a geração de energia, outros fatores estão influenciando os pedidos de reajuste das concessionárias.
“A inadimplência e os juros mais altos para a tomada de crédito estão refletindo no aumento do custo do capital. Esses pontos também pesam no cálculo feito pela concessionária”, justifica.
Procurada, a EDP Escelsa disse que não se manifestaria sobre o pleito.

Pedido da empresa é um dos mais altos feitos à Aneel

Até agora, nenhuma concessionária do país conseguiu atingir o percentual de reajuste da ordem de 36%, como pediu EDP Escelsa à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Um dos maiores para a classe residencial foi o de 31,66%, da concessionária Ampla, do Rio de Janeiro.
Cerca de 40 distribuidoras de energia já apresentaram seus pedidos de reajustes para a Aneel, mas, em muitos casos, o valor concedido pelo órgão governamental foi inferior ao esperado pelas empresas.
A Companhia Campolarguense de Energia (Cocel), do Paraná, solicitou 25,16% de aumento, porém o percentual médio aprovado no dia 16 de junho foi 17,26%.
Outra concessionária do mesmo Estado, a Copel Distribuição S/A, chegou a pedir 32,45% de reajuste, mas teve menos da metade, sendo autorizada a reajustar em 14,64%.
No ano passado, a EDP Escelsa pediu um reajuste médio de 27%, mas teve autorização da Aneel para aumentar 22,7%.

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