23/11/2020 às 10h15min - Atualizada em 23/11/2020 às 11h21min

Especialista explica a relação entre a Dependência Química e o Transtorno de Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema neurobiológico que ocorre em 3 a 5% das crianças, possui causas genéticas, aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, desorganização, inquietude e impulsividade. Considera-se que as causas do TDAH são uma combinação entre fatores genéticos, alterações no cérebro e fatores ambientais.

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O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema neurobiológico que ocorre em 3 a 5% das crianças, possui causas genéticas, aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, desorganização, inquietude e impulsividade. Considera-se que as causas do TDAH são uma combinação entre fatores genéticos, alterações no cérebro e fatores ambientais.

Segundo pesquisas realizadas pelo NESARC (National Epidemiological Survey on Alcohol & Related Conditions) nos Estados Unidos, adultos portadores de TDAH consomem três vezes drogas do que aqueles que não apresentam este quadro clínico.

Ao longo da vida, os portadores de TDAH têm oito vezes maior probabilidade de usar substâncias psicoativas do que os não portadores da patologia. Já entre os indivíduos que buscam tratamento para a dependência química, as taxas de presença do TDAH estão entre 34 e 50%.

Alguns autores sugerem que maiores níveis de impulsividade e conduta desafiadora na infância são fortes fatores de risco para o consumo de maconha e de outras substâncias durante a adolescência tardia e quando adulto jovem.

Existem algumas explicações para esta forte associação entre padecer de TDAH e o consumo de drogas:

a) Tentativa de "automedicação". Indivíduos com maior impulsividade, com notável busca por sensações e com elevado nível de ansiedade, podem procurar na droga uma maneira de aliviar sintomas de inquietude e ansiedade;

b) Portadores de TDAH apresentam funcionalidade prejudicada nos seus sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos. A maconha, por exemplo, quando consumida, tende a aumentar a liberação da dopamina em determinadas regiões do cérebro;

c) O consumo de drogas pode prejudicar aspectos da cognição e indivíduos com TDAH podem apresentar problemas de concentração e na execução de tarefas, dificultando a autopercepção de que o uso da droga piora os sintomas do transtorno e vice-versa.

d) Outros motivos: o indivíduo afetado pelo transtorno, muitas vezes, busca as substâncias químicas na tentativa de acalmar sua mente, melhorar a concentração, diminuir dores emocionais e se sentir aceito.

Os estudos mostram ainda que cerca de metade daqueles portadores de TDAH na infância demonstram sintomas de desatenção com ou sem hiperatividade na vida adulta.

Já entre portadores de TDAH que recorrem ao uso de drogas na adolescência, os sintomas do transtorno tendem a ser exacerbados, especialmente no que concerne à desatenção e falha no funcionamento executivo, colocando o jovem em elevado risco de ter sintomas persistentes de TDAH na vida adulta.

"Se o dependente químico é portador de TDAH, a sensação de euforia proveniente do uso da droga acaba sendo mais intensa do que em outro usuário de drogas que não tem o transtorno. Infelizmente, o TDAH colabora para manutenção do uso de drogas e faz com que a dependência se torne mais intensa. Por isso, o tratamento do TDAH concomitante à dependência química deve ser tratado de forma multimodal e de forma intensiva. É fundamental que profissionais da área da saúde estejam habilitados a identificar tais associações para direcionar de maneira efetiva o tratamento da pessoa que é acometida por estes transtornos". Esta é a afirmação do psicólogo Sergio Castillo, que é especialista em dependência química e responsável pela Clínica Grand House, Centro de Tratamento de saúde Mental, dependência química e comorbidades, com mais de 20 anos de experiência na área.

Contudo, é importante ressaltar que embora exista essa correlação entre TDAH e dependência química, nem todas as pessoas que possuem TDAH utilizam drogas e vice-versa.

Tipos de TDAH

As literaturas indicam que existem pelo menos 3 categorias de TDAH, cada uma com um padrão persistente de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade ou uma combinação dessas duas características.

Tipo Desatento

• Dificuldade para manter a concentração em um assunto específico e facilmente se distrai por estímulos externos;
• Erro por falta de atenção no que estão fazendo;
• Evitamento de atividades que demandam um grande esforço mental;
• Esquecimento frequente do que se vai falar;
• Dificuldade em organização do tempo;
• Dificuldade de ouvir quando chamam, podendo ser considerados desinteressados ou egoístas.

Tipo hiperativo / impulsivo

• Tendência a vícios em geral, sejam por jogos, compras, sexo, álcool e/ ou outras drogas;
• Inquietude, dificuldade para ficar parado;
• Falta de habilidade para lidar com frustrações;
• Temperamento explosivo;
• Mudança de planos de uma hora para a outra;
• Sinais claros de imaturidade
• Dificuldade de expressão: a fala não acompanha a velocidade de seus pensamentos.

Tipo combinado

• Existem pessoas que apresentam somente o ‘deficit’ de atenção e outros só apresentam a hiperatividade e há ainda pessoas que podem ter as duas formas combinadas.

Existem três diferentes graus de TDAH:

• Leve: poucos sintomas presentes e pequenos prejuízos sociais, profissionais ou acadêmicos;
• Moderado: os sintomas e alguns prejuízos de graus leve e grave presentes;
• Grave: muita expressão dos sintomas com real prejuízo funcional, social, acadêmico e profissional.

Tratamento do TDAH

O TDAH não tem cura, mas pode ter os sintomas reduzidos conforme o desenvolvimento humano no período da adolescência e idade adulta. O tratamento o TDAH é multidisciplinar, demanda suporte de profissionais de várias áreas, como: psiquiatras, psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos.

É essencial entender as necessidades de cada caso para um tratamento adequado e eficaz. Dessa forma, independentemente da idade em que o TDAH é diagnosticado ou que o uso de drogas se inicia, é possível realizar tratamento.

Fontes:

* Danilo Antonio Baltieri - Médico psiquiatra. Mestre e Doutor em Medicina pela USP - www.danilobaltieri.com.br
* Instituto Neuro Saber - https://institutoneurosaber.com.br
* Associação brasileira do déficit de atenção - https://tdah.org.br
* Clínica Grand House - www.grandhouse



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