19/06/2015 às 13h05min - Atualizada em 19/06/2015 às 13h05min

Cancelada licitação para berços portuários no Espírito Santo

Contratos da Petrobras para base de apoio serviriam a três berços em terminais capixabas

Gazeta Online

Mergulhada numa crise histórica de imagem e caixa, a Petrobras rompeu a promessa feita a políticos e empresários capixabas em novembro passado e cancelou a licitação que faria, no próximo dia 26, para contratar os serviços de apoio a plataformas marítimas de três berços em terminais portuários situados no Espírito Santo. 

A informação circulou ontem entre fontes do poder público capixaba e do setor privado interessado - e já preparado - para oferecer propostas no edital voltado ao atendimento às demandas da cadeia de petróleo e gás. No entanto, não há conformações oficiais. A assessoria da Petrobras foi procurada após as 21h de ontem, assim que a informação chegou à reportagem, mas, devido ao horário avançado, não conseguiu retornar. Procurado, o governo do Estado não se manifestou. 

O processo licitatório, várias vezes postergado, é capital para sustentar a instalação e a viabilidade operacional de dois terminais offshore no Sul do Estado: o C-Port e o Terminal Itaoca Offshore. Além disso, daria volume contratual para o futuro Porto Central, em Presidente Kennedy. 

Confirmada a desistência da licitação que firmaria os contratos, os investimentos C-Port e Itaoca Offshore serão fortemente abalados, sem o alicerce central de uma cliente do mercado de petróleo, já que são especializados em atividades no mar. O Porto Central ainda sofreria menos impacto, aliviado por seu conceito estrutural de porto-indústria, com retroárea e atividades complementares para movimentar outras cargas. 

“Se existe, o cancelamento da licitação não nos chegou oficialmente, mas a conversa existe no ar. Estamos preparando nossa proposta para o edital, quando agora chega essa notícia”, admitiu, ontem à noite, um executivo que projeta um dos empreendimentos portuários. 

O cronograma fixou o dia 26 para abrir propostas de empresas interessadas em participar do leilão. Evidenciando a quebra de confiança quanto ao certame, empreendedores interessados nessa futura demanda da Petrobras avisaram autoridades locais da desistência da estatal em tocar a licitação. 

Desde 2014 teme-se o atraso ou cancelamento da licitação – já prometida para janeiro, março e junho - para contratar as três bases portuárias e atender as atividades do centro de massa (ponto de referência) do Sul capixaba. O edital foi jogado para este ano para o Estado não sair perdendo após a concorrência de contratação de seis berços de apoio às plataformas petrolíferas na bacia de Campos. 

As regras previam acréscimo no preço de propostas de cidades distantes do Rio, a título de custos operacionais. Lideranças locais conseguiram o edital específico como garantia de competitividade aos investidores e projetos capixabas junto aos planos da estatal. E o prometido polo gás-químico de Linhares subiu no telhado: deixou de ser prioridade da Petrobras.


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