27/04/2015 às 14h00min - Atualizada em 27/04/2015 às 14h00min

Projetos que somam R$ 18 bilhões em investimentos estão parados no ES

Por motivos diversos, grandes investimentos seguem no papel

Gazeta Online

 

Investimentos relevantes para o Estado percorrem um longo caminho até saírem do papel. Pelo menos sete grandes projetos anunciados de 2008 para cá, que somam mais de R$ 18 bilhões e que abririam quase 20 mil postos de trabalho, ainda não tiveram as obras iniciadas. A maioria já conseguiu licença prévia ou mesmo autorização para instalação, mas há casos de empresas que aguardam obras públicas ou o aval do governo federal para dar início às obras.

A Carta Fabril, que teve seu projeto original concebido em 2008, depois de superar as etapas de licenciamento ambiental, deve começar as obras de terraplanagem em abril de 2016. O processo de aprovação do projeto, que ficará em Aracruz, começou há sete anos, mas só em agosto de 2014 é que as obras da empresa, que vai fabricar papéis higiênicos, foram autorizadas.

O gerente de Meio Ambiente da companhia, Alberto de Oliveira, explica que em março teve a autorização para realizar o corte da plantação de eucalipto. “Após essa fase (corte das árvores), vamos entrar numa etapa mais demorada que é a retirada das raízes e das toras. É uma operação complexa que devemos terminar apenas em novembro”.

Segundo Oliveira, o planejamento era ter iniciado em 2011 o funcionamento da fábrica, que vai produzir 128 mil toneladas de papel por ano. “O que mais atrasou foi a liberação das licenças. Houve uma discussão se seria o Iema ou a prefeitura o órgão responsável em autorizar a obra”, disse.

Portos

A área portuária é onde o impasse é maior. Quase todos os empreendimentos conseguiram licenças, entretanto, ou ainda precisam de outorga de órgãos federais ou esperam a conclusão de investimentos públicos.

O C-Port, da Edison Chouest, em Itapemirim, já tem autorização de Iema e Ibama, só que depende, segundo o diretor Roberto Toledo, da finalização das obras da Rodovia do Contorno de Itaipava para iniciar a instalação.

O Porto Central, que ficará em Presidente Kennedy, já conseguiu a licença prévia do Ibama e deve, até junho, entrar com o pedido para iniciar os trabalhos de instalação. Lançado em 2012, o empreendimento teve o cronograma atrasado pela aprovação das intervenções ambientais. Agora, de acordo com o presidente da empresa, José Maria Novaes, a companhia está terminando a fase de estudos para dar largada à edificação. “A intenção é pedir até junho a licença para instalação”.

O terminal Itaoca Offshore, em Itapemirim, contratou a empresa que fará as obras. “O projeto teve atrasos naturais, de cerca de seis meses. Mas estamos com todas as licenças e cumprindo as condicionantes. No momento, temos que recolher toda a fauna e flora na região do porto e transferir para outro local”, diz o diretor de Operação do porto, Álvaro de Oliveira Junior.
 
Obras atrasadas
C-Port
Empreendimento: pertence ao grupo americano Edison Chouest, em Itapemirim. A previsão inicial é de que o terminal funcionaria neste ano, mas obras não começaram. 
Investimento: R$ 400 milhões
Empregos: O terminal vai gerar 1.650 empregos, sendo 450 diretos e 1.200 indiretos.
Situação: O projeto tem licença de instalação emitida desde agosto de 2014, mas, segundo o Iema, a empresa não iniciou as intervenções na área e solicitou a suspensão dos prazos das condicionantes ambientais. A empresa alega que aguarda a construção da Rodovia do Contorno de Itaipava.

Terminal Industrial Imetame
Empreendimento: Em Aracruz, projeto visa a atender as atividades de extração de óleo no mar. 
Investimento: R$ 300 milhões
Empregos: Previsão de 1,2 mil funcionários na construção e de 160 na operação. 
Situação: Tem a licença de instalação desde maio. A previsão era começar o investimento ainda neste ano. 

Porto Central
Empreendimento: O terminal será construído em Presidente Kennedy.
Investimento: R$ 5 bilhões
Empregos: 4,8 mil empregos nas obras e cerca de 3 mil na operação.
Situação: O cronograma atrasou seis meses devido às exigências ambientais. A empresa já tem a licença prévia e precisa cumprir uma série de condicionantes. Até junho, a companhia deve protocolar o pedido de licença de instalação ao Ibama.

Terminal Marítimo Itaoca
Empreendimento: O Itaoca Offshore, em Itapemirim, está correndo dentro do prazo e deve começar a operar em 2017.
Investimento: R$ 450 milhões
Empregos: Na construção, serão mil empregos abertos; na operação, 450 postos.
Situação: Está com todas as licenças necessárias, já contratou a empresa que fará as obras.

Carta Fabril
Empreendimento: Projeto, que ficará em Aracruz, foi concebido em 2008 e previsão é de que já estivesse em funcionamento em 2011.
Investimento: Cerca de R$ 300 milhões.
Empregos: Até 400 empregos nas obras e 250 na operação.
Situação: A empresa tem a licença de instalação e deve cumprir condicionantes. Recebeu a licença para cortar o eucalipto e, até o final do ano, deve terminar de tirar do terreno as raízes das árvores. O trabalho de terraplanagem só iniciará em abril de 2016.

Polo gás-químico
Empreendimento: Projeto previsto para Linhares
Investimento: R$ 7 bilhões
Empregos: Aproximadamente 5 mil vagas para construção e cerca de 800 na operação.
Situação: Já tem licença prévia concedida, mas projeto saiu do plano de negócios da Petrobras.

Porto Norte Capixaba
Empreendimento: mineradora Manabi aguarda licenciamento do Ibama para fazer porto em Linhares.
Investimento: R$ 5 bilhões
Empregos: Cerca de mil empregos
Situação: Por atingir dois Estados, o projeto precisa de autorização do Ibama. A empresa já entrou com os pedidos, mas não obteve a licença prévia devido a entraves ambientais. Porto ficará perto de local de reprodução de animais marinhos.
 
Investimentos estão mantidos, diz governo
Para viabilizar empreendimentos de grande porte, as empresas vivem um demorado processo de adaptação às exigências governamentais. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, José Eduardo de Azevedo, o tempo gasto para licenciar, construir e começar a operar vai de cinco a oito anos.

Ele explica que o governo estadual tem trabalhado para dar apoio à viabilidade dos projetos, principalmente neste momento de ajustes no país. “A queda da atividade econômica tem impacto sobre esses empreendimentos. Mas a nossa expectativa é positiva. Estamos percebendo que a maioria dos negócios caminha dentro de uma previsão boa. Alguns sofreram ajustes, mas a maioria está se mantendo dentro do cronograma. Outros estão aguardando o clareamento do cenário político”, explica.

Azevedo explica que o governo estadual tem dialogado com órgãos federais, como o Ministério dos Portos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários em busca de dar celeridade aos projetos portuários.

Reformulação

O cenário econômico, que se encontra mais obscuro por conta dos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, traz também a preocupação com o possível cancelamento de projetos importantes, como o polo gás-químico, da Petrobras. O projeto saiu dos planos de negócios da empresa nos próximos anos. E há rumores de que pode nem chegar a acontecer ou mesmo que pode ser passado para as mãos de outros investidores. 

“O Estado aguarda a reprogramação de alguns projetos, um deles é o polo gás-químico. Ainda não sabemos se as empresas vão buscar parceiros para executar os projetos. No entanto, temos boas expectativas. Mesmo com o baixo dinamismo, muitas empresas miram um horizonte de longo prazo, momento em que a economia já deve ter voltado a crescer”, afirma Azevedo.

Se por um lado alguns projetos ainda não deslancharam, outros investimentos tornaram-se realidade, inaugurando a indústria automotiva e naval no Espírito Santo. O Estaleiro Jurong Aracruz, que oficializou o investimento em 2010, começou a operar no segundo semestre de 2014. Já a montadora Marcopolo, anunciada oficialmente em junho de 2012, iniciou as atividades este ano.

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