16/03/2015 às 12h55min - Atualizada em 16/03/2015 às 12h55min

Para capixabas, Dilma precisa dar respostas

Políticos dizem que o governo deve fazer uma autoavaliação

Gazeta Online
Para o governador Paulo Hartung (PMDB), a manifestação popular no nosso Estado foi expressiva Foto: Guilherme Ferrari - GZ

Políticos capixabas avaliam que o governo federal, alvo dos protestos que juntaram milhões de pessoas em praticamente todo o país neste domingo (15), deve fazer um autoexame a partir das mensagens das ruas.

Refratário à imprensa e com diálogo difícil com o Congresso, o Planalto terá de expor “imediatamente” propostas de combate à impunidade, diz o deputado federal Givaldo Vieira (PT): “A grande mensagem das ruas é o necessário recrudescimento do combate à corrupção. O governo precisa imediatamente anunciar à população projetos de lei nesse sentido. Se Dilma fizer isso rapidamente, entra em sintonia”. 

O senador Ricardo Ferraço (PMDB) vê consequências imprevisíveis nos desdobramentos desse engrossado caldo anti-Dilma. Embora integre as fileiras de um partido aliado ao Executivo, o capixaba de postura independente vaticina: o governo precisa receber com “profunda humildade” as manifestações.

O governador Paulo Hartung (PMDB) se manifestou em rede social: “O Espírito Santo e o país assistem hoje a um momento histórico: no dia em que lembramos os 30 anos da reimplantação da democracia brasileira, milhares foram às ruas protestar contra a corrupção. Uma manifestação popular que, no nosso Estado, foi expressiva, num movimento pacífico e democrático. Esse novo momento da nossa sociedade precisa ser compreendido e respeitado por todos nós”.

Repercussão entre políticos capixabas 

“O Brasil vive um ambiente de muita insatisfação, agravado pela crise econômica. Esse não é um ambiente positivo e há risco de crise institucional. Todo cuidado é pouco”. Luciano Rezende - prefeito de Vitória (PPS)

“Aplaudo e parabenizo os que foram às ruas pedir o fim da corrupção e melhorias no país. É um sinal claro para o governo federal de que as coisas não estão bem”. Audifax Barcelos - Prefeito da Serra (PSB)

“Sou a favor é da renúncia da presidente. A situação em que ela está se deve ao que se cometeu na campanha eleitoral: um verdadeiro estelionato eleitoral”. Max Filho - deputado federal (PSDB)

“O protesto foi de grande proporção e mostra força. A mensagem das ruas é o necessário recrudescimento do combate à corrupção. Também é preciso melhorar o diálogo com o Congresso” - Givaldo Vieira (PT) - deputado federal 

“Este segundo mandato foi mais do mesmo até agora. É preciso que o governo – hoje prostrado, sitiado e assustado pela crise - faça um profundo exercício de examinar o que fez”. Ricardo Ferraço - senador (PMDB)
 
“Os brasileiros deram exemplo de civismo e amor ao país hoje. Não podemos nos conformar com um malfeito. Nas ruas e nas redes sociais, deram um grande exemplo de união por um país melhor”. Rodney Miranda (DEM) - prefeito de Vila Velha (DEM)

Governo não quer ver a realidade, dizem especialistas 

O nível de insatisfação com o governo chegou ao limite da panela de pressão, avalia o cientista político José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, se nosso regime fosse parlamentarista, esse governo já teria caído. 

“A medida democrática do impeachment será debatida. Acho que a presidente faria um grande bem ao Brasil se renunciasse e assumisse a culpa pelas falhas e incompetência”. 

Matias-Pereira acrescenta que o governo se recusa a ver a realidade. “O governo fracassou desde 2011, não cortou na própria carne, não diminuiu os 40 ministérios, trabalha contra as investigações da Operação Lava Jato”. 

Secretário-geral da ONG Contas Abertas, o economista Gil Castello Branco avalia que a manifestação pró-Dilma da sexta-feira,“contratada, comprada por instituições chapa-branca e chapa-vermelha”, acabou levando ontem às ruas quem se sentiu provocado. 

“A presidente ostenta níveis de impopularidade como os de Fernando Collor antes do impeachment. Se as investigações ligarem Dilma e o PT ao roubo da Petrobras, com um ‘Fiat Elba’ aparecendo ou não, será decisivo para a base aliada sair do barco governista”. 

Para o economista, a magnitude dos protestos vai dificultar a aprovação do pacote de ajuste fiscal. Com o Planalto mergulhado na crise o preço de apoio da base será mais caro. “Mesmo que seja tecnicamente correto, a população está arcando com o rombo, enquanto há mais de 25 mil cargos de confiança no governo e aumento salarial para a cúpula dos três Poderes”.

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