Uma nova decisão judicial trouxe desdobramentos importantes no caso do assassinato do vereador Marquinhos Costalonga, em Presidente Kennedy, aprofundando ainda mais as discussações jurídicas que cercam o processo.
Conforme apurado pelo Portal Kennedy em Dia, além do conflito de competência entre a 1ª e a 2ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes — que já havia sido levado ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) —, o caso passou a envolver também medidas urgentes relacionadas à situação dos réus e à condução das provas.
A mais recente decisão da Justiça no caso do assassinato do vereador Marquinho Costalonga, em Presidente Kennedy, reacendeu a indignação e o sentimento de insegurança na população. Isso porque três acusados de envolvimento no crime foram colocados em liberdade após cerca de dois anos presos preventivamente — não por absolvição ou falta de indícios, mas por falhas e entraves no próprio andamento do processo.
A soltura de Douglas da Silva Nunes, Elan Martins e Everaldo de Almeida Neto foi determinada com base no chamado “excesso de prazo”. A instrução do processo já havia sido encerrada desde fevereiro de 2025, mas o caso ficou praticamente paralisado por mais de um ano, em meio a disputas judiciais sobre qual vara seria responsável pelo julgamento e a problemas envolvendo a condução de provas.
Trata-se de um crime de grande repercussão, que vitimou um representante eleito, e que agora vê parte dos acusados respondendo em liberdade por questões processuais.
Embora os réus tenham sido submetidos a medidas cautelares — como proibição de contato com testemunhas e obrigação de comparecer aos atos do processo —, o sentimento predominante é de frustração. Para muitos, a soltura não significa justiça, mas sim um reflexo de falhas institucionais que acabam beneficiando investigados em casos graves.
Outro ponto que chama atenção é a condução das provas. Há registros de que aparelhos celulares importantes para a investigação não foram devidamente periciados pela Justiça, mesmo após determinações judiciais. Além disso, há dúvidas sobre o paradeiro de alguns desses dispositivos, o que levanta questionamentos sobre a preservação da cadeia de custódia e a eficiência das investigações.
A própria decisão judicial reconhece que a paralisação do processo não foi causada pela defesa, mas por entraves como o conflito de competência entre a 1ª e a 2ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes, além de falhas administrativas. Ainda assim, o resultado prático é a liberação de acusados em um caso de extrema gravidade.
Enquanto isso, um dos investigados, Gilbert Wagner Antunes Lopes, o Waguinho Batman, segue foragido, o que amplia ainda mais a sensação de que o caso está longe de um desfecho.
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) já determinou que o conflito de competência seja analisado separadamente, sem interromper o andamento do processo principal. No entanto, para a população de Presidente Kennedy, a impressão que fica é de que a Justiça caminha em ritmo lento diante de um crime que exige respostas firmes.
O caso Marquinhos Costalonga, que já era emblemático, passa agora a simbolizar não apenas a violência que atingiu o município, mas também as fragilidades do sistema judicial. E, diante desse cenário, cresce a cobrança por mais eficiência, rigor e responsabilidade na condução de processos que impactam diretamente a confiança da sociedade nas instituições.
Relembre o caso
O vereador de Presidente Kennedy, Marcos Augusto Costalonga de 49 anos, mais conhecido como Marquinhos da Cooperativa, foi morto a tiros no dia 27 de maio de 2021 por volta de 23 horas, na localidade de Alegria, no município.
Segundo informações, o vereador seguia da comunidade de Leonel para a sua residência no centro de Presidente Kennedy por uma rodovia municipal, quando ocorreu a tentativa de roubo do seu veículo, uma Toytota SW4 Hilux. Contra o carro conduzido por Marquinhos foram disparados diversos tiros. No veículo estava sua esposa e mais uma pessoa.
Segundo as testemunhas, um carro HB 20 de cor prata foi usado pelos bandidos na tentativa de roubo e para alvejar o automóvel do vereador. Pelo menos quatro homens teriam participado da ação.
Um dos disparos antingiu o vereador que morreu na hora, fazendo com que o carro conduzido por ele caísse numa ribanceira de cerca de três metros. Os suspeitos fugiram sem levar nada.
A Polícia Militar foi chamada e acionou de imediato ambulâncias para prestaram socorro. As vítimas foram encontradas feridas dentro do veículo e de lá socorridas e levadas para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro.
A perícia foi acionada e esteve no local. Foi constatado inicialmente pelo menos 10 disparos de arma de fogo calibre 9mm na lateral da Hilux, tendo um único tiro antigido as costas do vereador.
Marquinhos da Cooperativa estava em sua primeira legislatura e era vice-presidente da Câmara Municipal. Um nome novo na politica, tinha ideias inovadoras para o Município, tendo inclusive encabeçado a comitiva que foi a Vitória pedir mais policiamento para Presidente Kennedy e pedir a manutenção da Comarca Judicial no município. Ele também era tradicional comerciante do ramo de veterinária e insumos agrícolas.