20/08/2018 às 08h20min - Atualizada em 20/08/2018 às 08h20min

Uma eleição próxima dos tribunais, e distante do eleitor

Candidatos terão que detalhar seus bens ao TSE: a transparência será beneficiada, mas o eleitorado ainda espera a apresentação de propostas construtivas

Exame
ALCKMIN, TEMER E MEIRELLES: MDB e PSDB em disputa por detalhes desimportantes / Alan Santos/PR/Agência Brasil (Alan Santos/Agência Brasil)
A semana dos candidatos deve ser de renovadas disputas nos bastidores. No calendário eleitoral, os 27.813 candidatos terão que detalhar a partir de hoje a declaração de bens feita ao Tribunal Superior Eleitoral, incluindo informações que haviam ficado de fora neste ciclo eleitoral, mas que voltam à ser necessárias por decisão do ministro Luiz Fux.

Com mais informações à disposição, na teoria, ganha a transparência. Pelos primeiros passos da campanha, formalismos serão importantíssimos. Num pleito disputado, qualquer vírgula legal será usada para minar ou impulsionar um candidato.

A principal disputa em aberto envolve PMDB e PSDB, os dois partidos que tentam angariar os votos dos eleitores de centro. No fim de semana, o MDB levantou uma questão que, na prática, pode tirar 35% do tempo de TV do tucano Geraldo Alckmin. O partido que lançou Henrique Meirelles ao Planalto questiona o apoio dado pelo Centrão a seu adversário. O MDB aponta erros formais na coligação de Alckmin, que não teria cumpridos os ritos necessários.

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral consultados pelo Estado de S. Paulo consideram que a campanha de Alckmin possui os dados necessários para sua validação. Qualquer falha, afirma um magistrado, não consistiria aspecto vital para desligitimar a candidatura.

Em Minas, é uma ala do próprio PSB que tenta usar de brechas legais para barrar a candidatura de Marcio Lacerda, do PSB, ao governo do estado. Há dois registros na justiça eleitoral de candidatos do partido. A de Lacerda, em aliança com o MDB, e a que apoia Fernando Pimentel, do PT. O episódios não deixa de escancarar a salada em que as siglas estão metidas, mais preocupadas, como sempre, com o loteamento de cargos do que em apresentar propostas construtivas ao eleitorado.

De disputa judicial em disputa judicial, de questiúncula em questiúncula, os partidos e os candidatos vão ficando ainda mais distantes do eleitor.

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