15/03/2018 às 13h31min - Atualizada em 15/03/2018 às 13h31min

Petrobras tem prejuízo de R$ 446 milhões em 2017, no 4º ano seguido de perdas

O resultado da empresa de 2017 foi afetado pelo acordo para encerrar processos judiciais movidos por investidores nos EUA, que custou R$ 11,2 bilhões

G1

 

A Petrobras teve prejuízo líquido de R$ 446 milhões em 2017, no quarto ano consecutivo de perdas. O resultado da empresa foi afetado pelo acordo fechado pela companhia para encerrar processos judiciais movidos por investidores nos Estados Unidos e pela adesão a programas de regularização fiscal, que custaram juntos cerca de R$ 21,6 bilhões.

Veja os destaques do balanço da Petrobras de 2017:

  • Prejuízo líquido de R$ 446 milhões, mas lucro operacional de R$ 35,6 bilhões em 2017.
  • Despesa de R$ 11,2 bilhões no acordo para encerrar processo de investidores nos EUA.
  • Custo de R$ 10,4 bilhões na adesão ao programa de regularização de dívidas fiscais

A Petrobras ressalta que o prejuízo de 2017 foi o menor dos últimos 4 anos e que seu resultado operacional, de R$ 35,6 bilhões, foi mais do que o dobro do registrado em 2016.

Em 2016, a Petrobras teve prejuízo líquido de R$ 14,824 bilhões, puxado principalmente por baixas contábeis que reduziram sua avaliação de ativos.

A Petrobras afirmou que se não fossem as despesas extraordinárias, a companhia teria registrado lucro líquido R$ 7 bilhões.

"Estamos numa trajetória consistente de recuperação, seguindo à risca o que nos propusemos no nosso plano de negócios. Os maiores impactos no balanço de 2017 refletem despesas não recorrentes que reduziram incertezas e riscos em relação ao futuro da companhia", disse, em nota, o presidente da estatal, Pedro Parente. "São resultados bastante positivos. Nós estamos bastante satisfeitos”, declarou Parente ao abrir a entrevista coletiva.

Apesar do impacto financeiro negativo, Parente destacou que a realização do acordo para encerrar as ações judiciais contra a empresa é um ponto positivo de 2017. "A solução para o tema da class action foi importante empresa para eliminar uma incerteza (sobre os negócios da companhia", disse.

O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou que tanto o acordo da class action quanto o programa de regularização de débitos federais “foi duramente” buscado pela companhia e que isso trouxe a valorização de mercado das ações da companhia.

Lucro operacional maior

A companhia teve um lucro operacional de R$ 35,6 bilhões, 108% acima do registrado em 2016. Esse indicador exclui as despesas fora da operação, como gastos com processos judiciais. Os ganhos operacionais se devem, principalmente, aos seguintes fatores:

  • Reavaliação de ativos abaixo do registrado em 2016;
  • Maiores exportações de petróleo e a preços mais altos;
  • Ganho com a venda da NTS no 2º trimestre;
  • Redução de despesas com pessoal.

"Houve redução de R$ 16,4 bilhões em relação a 2016 nas reavaliações de ativos da companhia, fator que mais contribuiu na melhoria do lucro operacional", explicou a empresa.

A receita da empresa em 2017 atingiu R$ 283,695 bilhões, praticamente estável (variação de 0,4%) ante o resultado de 2016.

Quarto trimestre

A Petrobras teve perdas de R$ 5,477 bilhões no quarto trimestre de 2017. Além da despesa associada ao encerramento da ação coletiva nos EUA e dos programas de regularização fiscal, a empresa também teve seu resultado afetado pela reavaliação de ativos, que gerou perdas financeiras de R$ 3,5 bilhões no período.


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