23/02/2018 às 09h43min - Atualizada em 23/02/2018 às 09h43min

Nova indústria começa a operar em 30 meses

A Selita hoje é o maior empreendimento privado em andamento no Espírito Santo, com investimentos estimados em R$ 70 milhões

Fato / Wagner Santos
Planta industrial é o maior empreendimento privado em andamento no Espírito Santo (Foto: Studio HG2)

 

A nova planta industrial da Cooperativa de Laticínios Selita deve começar a operar em 30 meses. Já em construção numa área de 25 alqueires (1,2 milhão de metros quadrados), é o maior empreendimento privado em andamento no Espírito Santo, com investimentos estimados em R$ 70 milhões.

No local, à margem da BR 101, em Safra, zona rural de Cachoeiro de Itapemirim, os trabalhos estão em ritmo acelerado, de segunda a sábado, em fase de terraplanagem. Cerca de R$ 6 milhões já foram investidos para adequar o local à planta industrial que será erguida em ato contínuo. Boa parte dos recursos para o empreendimento já está em caixa.

O canteiro de obras, nesta quinta-feira (22), recebeu visitantes ilustres. O presidente da Cooperativa, Rubens Moreira, reuniu cooperados, empresários, imprensa e políticos para apresentar o local e explicar o motivo da mudança de sede, em meio ao acumulado da crise econômica nacional e a hídrica, que desde 2014 - curiosamente o mesmo ano em que a atual diretoria assumiu a empresa -  castigam o estado e afetam o setor de laticínios.

“Não posso dizer se foi coragem ou medo de perder o bonde da história que nos fez investir. A Mococa, que talvez seja a maior cooperativa de São Paulo, fechou as portas. Nos deixa a lição de que quem não inova, vai para o buraco”, diz o presidente da Selita, que neste ano, completa 80 de fundação.

A cooperativa desde a década de 1970 funciona no bairro Campo Leopoldina, na área urbana de Cachoeiro, localização que, com o tempo se tornou desfavorável à modernização do parque industrial e fator impeditivo ao crescimento da empresa, seja por fatores ambientais, de inspeção sanitária, ou custos operacionais.

Apenas com água, gás e esgoto, segundo Rubens, a Selita gastou, em janeiro, R$ 1.048 milhão. No novo local, planejado para reaproveitar água da chuva e captar energia solar, a economia, apenas com esses itens, seria de R$ 850 mil, ou pouco mais de R$ 10 milhões por ano.

Indústria vai dobrar sua capacidade

Segundo o engenheiro Amauri Bellini, responsável pela coordenação da implantação do projeto nova indústria, a nova planta vai permitir que a indústria aumente para até 1 milhão de litros de leite mensal a captação que hoje está na casa dos 400 mil.

A instalação da indústria ocorrerá por etapas, começando pela linha de esterilizados (longa vida), carro chefe da empresa, onde estão os diversos tipos de leites e demais produtos embalados em caixinhas (UHT), e depois os refrigerados e em pó.

No ápice do período de obras, o empreendimento vai gerar, até, 300 empregos diretos e outros 600, indiretamente. A empresa gera renda para 3 mil produtores de leite, dá ocupação para 6 mil na ordenha e, segundo Moreira, impacta na renda de 15 mil pessoas.

Luta por condições iguais continua

A apresentação das obras da nova sede da Selita também teve seu lado político. A cooperativa enfrenta concorrência desigual com empresas de outros estados, devido à barreira tarifária que obriga o produto cachoeirense sair com alíquota maior de ISS para o Rio de Janeiro, enquanto na mão inversa, não há o mesmo tratamento. Além disso, até na captação do leite existe a disparidade.

O presidente Rubens Moreira cobrou ao vice-governador César Colnago (PSDB), que esteve ontem no evento, a equalização deste problema. O pleito teve o apoio dos deputados Rodrigo Coelho (PDT) e Marcos Mansur (PSDB), que fazem a articulação junto ao governo estadual para resolver a questão. Colnago afirmou que o assunto está em debate, mas ainda sem poder dar definição.

O vice-governador assumiu compromisso de pavimentar o acesso à indústria, que hoje é feito por estrada de chão, num percurso de pouco mais de um quilômetro. Ele elogiou a obra e o pensamento inovador da Selita.

“Esse empreendimento é muito importante porque aposta no sul capixaba. Estou impressionado com a grandiosidade dessa obra, o tamanho desse investimento em um momento em que a crise ainda não acabou”, destacou o vice-governador.

Ao prefeito Victor Coelho (PSB), Rubens pediu a isenção de ISS para a construção. A prefeitura tem sido parceira do empreendimento, que teve a licença ambiental concedida em tempo recorde, apenas 30 dias, conforme revelou o mandatário.

Além de prefeito, vice-governador e deputados, também compareceram os vereadores Higner Mansur (PSB), Renata Fiório (PSD) e Carlinhos Miranda (PDT), de Cachoeiro, parlamentares de outros municípios, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Espírito Santo, Pedro Scapi, e o superintendente da instituição, Carlos André.


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