16/07/2016 às 10h51min - Atualizada em 16/07/2016 às 10h51min

Aulas dentro de contêineres para estudantes de Presidente Kennedy

Nove estruturas desse tipo serão instaladas em três escolas municipais para alunos do reforço

Gazeta Online

A partir do próximo mês, os alunos que dependem de reforço em três escolas municipais de Presidente Kennedy, no Litoral Sul do Estado, vão estudar em contêineres. Nove espaços foram alugados pela prefeitura até que as unidades passem por reforma e ampliação, que ainda não têm data para terminar. Juntas, as três escolas abrigam mais de 1,5 mil alunos. A medida encontrada pelo município tem desagradado os pais.

Na cidade, poucas são as pessoas que já sabem o que os espaços abrigarão. A aposentada, Elça Laiber dos Santos, que mora em São Salvador, possui dois netos na escola municipal da localidade, no 4º e no 1º ano. “Ainda não fui avisada de nada. Se for para melhorar, eu aprovo. Não sei se será bom, mas é fato que uma coisa assim nunca irá acomodar um aluno como na sala de aula”, comenta.

Transferência

Foi justamente por conta do inchaço de alunos em sala de aula que o auxiliar de pedreiro Emanoel Batista Nunes Sedano resolveu transferir as duas filhas, dos 5º e 7º ano. Segundo ele, suas filhas se queixavam das salas cheias e dos espaços improvisados para aula, como o palco do ginásio poliesportivo.

Ele critica a postura da prefeitura em alugar contêineres para os alunos. “Nem preso pode ficar naquilo, imagina crianças numa lata de sardinha. No verão, aqui é muito quente e isso vai prejudicar o estudo. Deveriam usar o dinheiro para fazer escolas boas, com espaço. Não aceitaria que meus filhos estudassem assim”, criticou o auxiliar de pedreiro.

Segundo a prefeitura, cada uma das escolas receberá três unidades de contêiner e custará R$ 63,00, cada, por dia, aos cofres públicos. Juntos, os nove contêineres custarão R$ 567 pelo aluguel ao dia e R$ 17 mil por mês.

Além das aulas de reforço, de acordo com a secretaria de Educação, os espaços abrigarão atividades de balé, teatro, dança, capoeira e outras que fazem parte do plano de reforço escolar do município.

Outro lado

Espaços terão ar-condicionado

A secretária de Educação de Presidente Kennedy, Dilzerly Machado, explicou que o aumento da carga horária dos alunos de ensino fundamental e médio demandou salas e, por isso, os espaços alugados serão necessários. Para atender as diretrizes do Plano Nacional de Educação, os alunos que necessitam de reforço, o fazem em dois dias da semana, no contraturno escolar.

Ela explica que cada contêiner deve atender 30 alunos, com ar-condicionado, telhas de zinco galvanizadas e isolamento acústico. O uso será até que as obras de ampliação das escolas sejam concluídas. Porém, não informou prazos.

“Está em andamento a licitação para reforma e ampliação das escolas. Vilma Ornelas, no Centro, São Salvador e Jaqueira, uma das maiores com 668 alunos. Nossa demanda é grande, pois recebemos transferências de até 10 alunos por semana, de famílias que vêm para cá”, afirma.

Em Piúma, estrutura é usada em escola do interior

Outro município do litoral Sul que tem usado a estrutura polêmica é Piúma. Segundo a assessoria de comunicação do município, a escola de ensino fundamental em São João de Ibitiba, no interior, tem utilizado a estrutura de contêineres para as aulas.

Em nota, a prefeitura afirmou que duas turmas, uma com 5 alunos e outra com 6 usam o espaço. A utilização foi necessária, já que a escola passa por reforma.

“Apesar de estarem estudando em um contêiner, o mesmo possui telha e ventiladores para manter a sensação térmica agradável. A data prevista para a inauguração da escola é logo após as férias, na segunda quinzena deste mês”, informa em nota a prefeitura. O valor do contrato não foi informado.

A obra na escola, que atende a crianças de 20 famílias da localidade, previa ampliação, nova rede elétrica, telhado, nova cozinha, ventiladores, cerâmica, pinturas e revestimentos .


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