29/07/2021 às 15h04min - Atualizada em 30/07/2021 às 01h20min

Turismo e indústria da moda: roupa compartilhada é aposta para sustentabilidade

Setor é responsável por até 10% do das emissões globais de efeito-estufa e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo; empresa sediada em Gramado (RS) investe no aluguel de roupas para viagem para amenizar tal impacto

DINO
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A indústria da moda é uma das que mais movimenta a economia global, mas, em contrapartida, trata-se de um dos setores menos sustentáveis de toda cadeia produtiva. De acordo com uma ampla pesquisa realizada em 2019 pela Unep (United Nations Enviroment Program, na sigla em inglês), departamento da ONU responsável por estudos e desenvolvimento de políticas para o Meio Ambiente, a indústria da moda era avaliada, à época, em cerca de U$ 2,4 trilhões (aproximadamente R$ 12,4 trilhões), empregando, estimadamente, 75 milhões de pessoas. Porém, somente com o descarte de roupas que iam para aterros e lixões perdia-se cerca de US$ 500 bilhões (em torno de R$ 2,5 trilhões) por ano.

A indústria da moda, ainda segundo o estudo da ONU, é responsável pela emissão de até 10% das emissões globais de efeito-estufa (mais que a aviação e o transporte marítimo juntos); libera 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos todos os anos; e é o segundo setor da economia que mais consome água, produzindo cerca de 20% das águas residuais do mundo.

Na ocasião da divulgação do estudo, foi criada com o apoio de organizações como a Sustainable Apparel Coalition (“Coalizão de vestuário sustentável”, em tradução livre), a Aliança das Nações Unidas para a Moda Sustentável. A iniciativa vai ao encontro de uma tendência verificada nos últimos anos com a chamada “economia colaborativa”, em que a tradicional transação individual dá lugar a uma forma compartilhada de se adquirir bens e serviços. É neste contexto que tem avançado, em todo o mundo, a “moda compartilhada”.

Aluguel de roupas é nova opção para turistas

Aquela famosa “limpa” no armário muitas vezes faz com sacos e mais sacos de roupa ganhem novos proprietários. Um destino comum para estas peças de vestuário historicamente foram os brechós, mas o aluguel de roupas é uma tendência que chegou para ficar, ao menos é o que indica uma estimativa realizada pela consultoria GlobalData Retail, mostrando que o mercado global de aluguel de roupas faturou US$ 1 bilhão em 2018.

Se o aluguel de roupas para eventos já é algo relativamente comum há algum tempo, um novo modelo de negócios tem se configurado neste nicho de mercado nos últimos anos. “Quando falamos sobre a possibilidade de se viajar apenas com uma mala de mão para qualquer cidade do mundo, estamos fortalecendo uma ideia que faz parte de uma tendência mundial que não há de voltar atrás”, afirma Camila Siqueira, criadora e sócia-diretora da AirCloset, empresa de aluguéis de casacos e itens de viagens estabelecida atualmente na cidade turística de Gramado, no Rio Grande do Sul.

Ressaltando que “a tecnologia precisa ser movimentada para uma evolução social”, e declarando-se adepta da prática do consumo minimalista, a empreendedora conta como uma experiência pessoal a motivou a criar o negócio. “Morei um ano fora do país e, como sou de uma região quente, de Belo Horizonte, precisei comprar tudo. E quando voltei, não tinha muito o que fazer com as peças de roupa de frio”.

Para Siqueira, além de contribuir para a sustentabilidade do planeta, a opção de viajar com uma mala praticamente vazia para um destino turístico aponta para várias possibilidades. “Além da economia com a mala que não precisa ser despachada no voo, o turista pode variar os looks no dia a dia”, afirma. “Além disso, para quem mora em uma cidade quente e deseja visitar um destino com temperaturas mais baixas, o aluguel de roupas é, sem dúvida, a melhor aposta”, completa a sócia-diretora da AirCloset.

O modelo de negócios de economia colaborativa em que Siqueira investe sua força de trabalho, de acordo com relatório de 2015 da PwC, é promissor: a aposta da consultoria é de que as receitas globais saltem do patamar US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77 bilhões), estabelecido no ano em que foi realizado o estudo, para cerca de US$ 335 bilhões (aproximadamente R$ 1,73 trilhões) até 2025. Além disso, a empresária aposta em tornar a empresa uma franquia, visto que este é um mercado que vem se aquecendo cada vez mais. Ao menos é o que demonstra uma matéria divulgada pela Exame, apresentando um crescimento constante do setor.

"Acreditamos que o futuro será pautado no compartilhamento de cada vez mais produtos e serviços que promovam a comodidade e a acessibilidade, além de estarmos apostando neste mercado de franquias que têm se mostrado tão positivo. Estamos na etapa de finalização da franquia da empresa e já recebemos interessados, então, a expectativa para o negócio é alta", finaliza. 

Para mais informações, basta acessar o site ou entrar em contato por e-mail ([email protected]).



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