02/03/2021 às 09h20min - Atualizada em 02/03/2021 às 10h20min

Depois de dar à luz prematuramente e ficar intubada por 17 dias por causa de complicações da Covid-19, enfermeira vê a filha pela primeira vez

Michele Spindola de Souza Freire, 37 anos, grávida de 33 semanas, precisou de uma cesárea de emergência para salvar sua vida e a de sua filha

DINO

Michele Spindola de Souza Freire, enfermeira de 37 anos, grávida de 33 semanas, à espera de Milena, chegou transferida para a Emergência do Complexo Hospital de Niterói (CHN) sentindo-se mal, com um quadro grave de falta de ar, cansaço e febre. No hospital, ela foi diagnosticada com Covid-19 e já estava com 75% do pulmão comprometido.
A paciente deu entrada no hospital no dia 25 de dezembro e, logo após a internação - ainda grávida -, teve uma piora em seu estado de saúde, o que levou a equipe médica a tomar a decisão de interromper a gravidez, realizando a cesárea na noite de Natal.

"Dependendo da idade gestacional, é uma opção tirar a criança para salvar a mãe. Como naquele momento a paciente já estava intubada e com os pulmões comprometidos, escolhemos, então, fazer o parto com plena certeza e segurança, pois contávamos com todo o suporte tecnológico e humano da UTI, além de um centro cirúrgico obstétrico moderno, uma equipe especializada em gravidez de alto risco e uma UTI neonatal totalmente preparada para receber o bebê, que nasceu com 33 semanas, pesando cerca de 2.000 gramas", conta a dra. Daniela Gomes Machado Selano, coordenadora da Maternidade do CHN e a obstetra que realizou o parto.

A tomada de decisão rápida e multidisciplinar também foi determinante para o sucesso do caso. Michele, que precisou fazer uma cesárea de emergência, necessitou de muita presteza da equipe de obstetrícia. "O parto foi difícil, principalmente pelo estado de saúde grave da mãe, que estava sob cuidados intensivos, então, representou altíssimo grau de risco, mas estávamos totalmente preparados, com uma grande equipe de profissionais envolvidos e todo o suporte da maternidade com a estrutura de um complexo hospitalar", diz Daniela.

Depois do parto, Michele ainda ficou intubada por 17 dias na UTI e lutou pela vida e para vencer a Covid-19. Mas não foi só ela que travou grandes batalhas, sua filha também resistiu bravamente às 33 semanas de prematuridade e veio ganhando peso e força durante a internação na UTI Neonatal do CHN.

"Desde os primeiros momentos, o recém-nascido recebe total assistência para se desenvolver, mesmo fora da barriga da mãe. Com aproximadamente 2.000 gramas, a bebê evoluiu muito bem, sem intercorrências", confirma Leonardo Nese, coordenador do CHN Materno-infantil e da UTI Neonatal.

Michele e Milena se reencontraram 20 dias após o parto, quando a mãe pôde ver a filha pela primeira vez. As pacientes evoluíram bem e Michele recebeu alta hospitalar no dia 14 de janeiro e sua bebê, depois de 25 dias de internação na UTI Neonatal, foi para casa no dia 19, com 2.660 gramas.

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