18/02/2021 às 17h35min - Atualizada em 19/02/2021 às 00h00min

Leilão antecipa centenário de Aldemir Martins com obras de colecionador

Mais de 200 peças exclusivas, nunca antes exibidas ao público e com documentos de autenticação, serão leiloadas em São Paulo a partir de 25 de fevereiro. O acervo reúne pinturas, desenhos, gravuras e esculturas com o estilo marcante do artista premiado em todo o mundo.

DINO
http://www.iarremate.com

Em novembro do próximo ano, se estivesse vivo, o artista plástico brasileiro Aldemir Martins faria 100 anos. Antes mesmo de terem início as comemorações de seu centenário o mundo das artes começa a se mexer em torno da vasta obra com a inconfundível assinatura de Aldemir, expressão máxima do figurativismo nacional, um nome consagrado no panteão artístico do Brasil e do mundo.

Entre milhares de obras nascidas de sua longa trajetória de criação há um grande acervo concentrado nas mãos de apenas um colecionador, um amigo de mais de três décadas, e que agora vai a leilão. A partir do próximo dia 25 de fevereiro, mais de 200 obras de Aldemir Martins nunca apresentadas ao grande público estarão pela primeira vez sendo exibidas, todas com a documentação fornecida pelo artista, o que garante sua autenticidade.

“Como se sabe, depois da morte de Aldemir, em fevereiro de 2006, sistematicamente aparecem no mercado falsários oferecendo cópias como sendo obras originais, e esses documentos que reunimos separam o joio do trigo”, esclarece o responsável pelo leilão Marcelo Rodrigues Barbosa, da Galeria Pintura Brasileira.

Os valores dessas obras autênticas são bastante variados. Vão desde pinturas e desenhos com lance inicial estipulado em 19 dólares, pouco mais de R$ 100,00, e outras com ponto de partida mais alto, como o “Az de Ouro”, um acrílico sobre tela, que começa em 11.400 dólares ou R$ 61,2 mil ao câmbio de R$ 5,37.

Em tempos de pandemia de Covid-19, os interessados podem adquirir as obras sem sair de casa. Todo o acervo está disponível no site www.iarremate.com, aberto à participação de todos. “Definimos regras simples para o leilão de modo a facilitar o acesso e oferecer uma experiência inovadora aos amantes de arte”, informa o leiloeiro Roberto Castelli.

Os organizadores estipularam a necessidade de um cadastro, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, e a partir daí cada cadastrado receberá uma senha para participar do leilão e fazer suas ofertas. O lance não coberto em dez dias por outro interessado será considerado vencedor e estará “batido o martelo”, assegura Castelli.

Aos preços finais dos arremates será acrescido 5% referente à comissão do leiloeiro. O adquirente deverá depositar o total – soma do valor da obra mais a comissão – em até 48 horas após o leilão e as obras deverão ser retiradas na galeria promotora do evento, em São Paulo, em até 24 horas após o pagamento.

Na impossibilidade de retirar a obra adquirida nesse prazo, se o comprador for de outras regiões ou de outros estados, os organizadores se comprometem a fazer o despacho, com o repasse dos custos e das responsabilidades decorrentes: embalagem, correio, transporte, seguro e outras garantias.

Detalhes do leilão, relação das obras, preços, imagens, técnica usada em cada peça, exigências de participação e procedimentos pós-aquisição estão à disposição dos interessados no site: www.iarremate.com. Outras informações estão disponíveis em #pinturabrasileira no Instagram.

Trajetória de Aldemir Martins

Em 83 anos de vida, Aldemir Martins deixou seu nome indelevelmente gravado nas artes plásticas, com igual destaque na pintura, gravura, desenho, cerâmica e escultura. Ele alternava seus instrumentos de trabalho entre telas de tecidos, com predominância do linho e da juta, e outros materiais como madeira, papel de carta, cartões e argila, sempre com temas bem brasileiros, a começar pelas cores, traços fortes e luzes inconfundíveis em uma ode à natureza, sinais característicos de sua brasilidade.

Ainda muito jovem começou a estudar desenho e desde então sempre esteve ligado às artes. Foi premiado pela primeira vez em 1951, aos 29 anos, na Bienal de São Paulo, com a obra “O Cangaceiro”, e nunca mais saiu do rol dos artistas mais consagrados no país, tendo sido convidado a expor em diversos pontos do planeta e conquistado vários prêmios.

O cearense Aldemir Martins era um viajante incansável. Em todos os continentes onde exibiu sua arte levou a imagem do “Homem do Nordeste”, característica marcante de seu estilo inspirado em Cândido Portinari. Além de grande projeção e reconhecimento, o artista expôs intensamente o seu trabalho e colecionou dezenas de prêmios, como o de “Melhor pintor internacional” recebido no Festival de Veneza, na Itália, em 1956.

Aldemir Martins nasceu em 08/11/1922 no sertão do Ceará, região do Vale do Cariri, e faleceu em 05/02/2006, em São Paulo, onde morava desde 1946.



Website: http://www.iarremate.com
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