29/01/2021 às 10h33min - Atualizada em 29/01/2021 às 11h20min

Adiamento de campeonatos de natação prejudica atletas e causa efeito cascata no esporte

Com mundiais adiados e clubes fechados, a pandemia de Covid-19 pode impactar o futuro do esporte aquático.

DINO
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A mudança de calendário do campeonato mundial de esportes aquáticos de Fukuoka, adiado de julho de 2021 para maio de 2022, é o mais recente golpe provocado pela pandemia de Covid-19 nos atletas das piscinas. A mudança, anunciada pela Federação Internacional de Natação (Fina), visa evitar um conflito de agenda com os Jogos Olímpicos, remarcado para acontecer entre  23 de julho e 8 de agosto de 2021, também no Japão. "Neste período de inédita incerteza, a Fina espera que o anúncio destas datas trará, a todas as pessoas envolvidas, clareza para se organizar", comentou o presidente da Fina, o uruguaio Julio Maglione.

Em menos de um ano, a pandemia de coronavírus conseguiu o que a Segunda Guerra Mundial não provocou em seis anos de conflito – paralisar as principais competições esportivas do planeta. “A pandemia do Covid-19 não tem precedentes históricos do ponto de vista de seu possível efeito no esporte em geral”, opina o espanhol Xavier Pujadas, autor de A História Social do Esporte.

Três vezes campeão Olímpico, o norte-americano Rowdy Gaines prevê um efeito cascata na preparação de atletas. “Nas categorias profissionais, só os fortes sobreviverão. Alguns podem conseguir manter a capacidade física, mas o impacto mental desse período vai tirar muitos atletas promissores do páreo”, acredita. 

Os Estados Unidos é o país com mais vitórias olímpicas, liderando campeonatos mundiais por mais de 60 anos consecutivos. “O que nos diferencia é a tradição de excelência presente nos nossos clubes”, diz Gaine. “Me preocupo com os clubes pequenos e com o que pode acontecer com as Ligas de Verão como aquela que me iniciou na natação. Isso é uma grande perda para o esporte, já que muitas crianças e jovens estão perdendo um tempo precioso de formação”, lamenta o medalhista. 

Há oito anos, a brasileira Mariana Moraes ensina crianças e jovens a darem suas primeiras braçadas na água. De atleta profissional à coach da categoria adulto master no Clube Gran São João, em Limeira, São Paulo, Mariana assistiu o desenvolvimento de campeões pan-americanos e mundiais como Natalia de Luccas e Guilherme Guido. Segundo a treinadora, a cada medalha conquistada por esses ídolos, mais iniciantes se matriculavam em suas aulas.

Em 2020, convidada para ensinar no Noonan Family Swimming School, em San Diego, na Califórnia, a treinadora encontrou um cenário diferente. “Os pais estão mais focados nos protocolos da Covid-19 do que na performance de seus filhos na água”, diz. “Adotamos medidas de distanciamento na piscina e diminuímos o número de crianças por aula, mas, infelizmente, não conseguimos evitar uma queda na motivação dos alunos”, comenta. “Além disso, com pais hesitando em mandar seus filhos para campeonatos de base, menos atletas tendem a despontar, o que deve impactar profundamente o esporte nos próximos anos”, alerta.

Para mitigar a crise causada pela pandemia no esporte, em abril passado, a Fina anunciou um fundo de 11 milhões de dólares dedicado a auxiliar atletas de elite com prospecto de medalhas, assim como atletas universitários baseados em países em desenvolvimento.



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