20/08/2015 às 12h18min - Atualizada em 20/08/2015 às 12h18min

Polícia investiga se pessoas que trabalhavam na adulteração de cervejas em Cariacica viviam como escravas

Ao todo, 12 pessoas, entre elas três adolescentes, foram detidas durante uma operação do Nuroc, que resultou na apreensão de 13 mil garrafas, além de material para envazamento

Folha Vitória

A polícia investiga se as pessoas que trabalhavam em um galpão na região do Contorno, em Cariacica, onde foram apreendidas cerca de 13 mil garrafas de cerveja adulterada, na noite de terça-feira (18), viviam em regime de escravidão. Ao todo, 12 pessoas foram detidas.

De acordo com a polícia, o imóvel tem mais de mil metros quadrados e, além de ser o local onde funcionava o esquema da adulteração, também era a casa de todos os que trabalhavam nele. No galpão há apenas um banheiro que, segundo a polícia, era para uso coletivo. 

Os policiais que participaram da operação disseram que as condições de higiene do local eram péssimas. Além disso, há suspeita de contaminação das bebidas.

Os envolvidos no esquema disseram que, ao chegar ao local, foram informados de que não poderiam mais sair e que qualquer desobediência era descontada em dinheiro, no salário de cada um.

Entre os 12 detidos, três são adolescentes de 16 anos. Todos eles vieram de outros estados, como Goiás e Tocantins. Segundo a polícia, os menores também trabalhavam na adulteração de cervejas. No entanto, como não ficou comprovado crime por parte dos adolescentes, eles foram encaminhados ao Conselho Tutelar de Cariacica.

"Prometeram que iríamos ganhar mais dinheiro, mas não sabíamos que o serviço era desse jeito. Trabalhávamos muito e não ganhávamos quase nada. Estava todo mundo doido para ir embra já. Quando chegamos ninguém sabia de nada, eles não explicaram. Mas já que a gente estava aqui, tinha que trabalhar", disse um dos menores, de Tocantins.

Para a polícia, Aloísio Duarte Radim, de 24 anos, é o responsável pela carga comercializada e também pelos trabalhadores. Ele, no entanto, nega envolvimento no caso. Em um vídeo, Aloísio mostra o passo passo da adulteração das bebidas.

Segundo a delegada Lana Lages, do Núcleo de Repressão à Organizações Criminosas (Nuroc), responsável pelo caso, o golpe era trocar o rótulo de uma cerveja mais barata pelo de outras marcas mais conhecidas e com preços mais elevados. No galpão também foram recolhidos rótulos, tampinhas e material de envazamento das bebidas. 

A delegada ressaltou ainda que a quadrilha possui ramificações em outros estados brasileiros. A polícia iniciou uma nova investigação para descobrir de onde vem a ordem de comando e se os comerciantes que compravam o material também teriam envolvimento com a quadrilha. Os envolvidos serão enquadrados no crime de adulteração de bebida alcoólica e relação de consumo, além do crime de organização criminosa.


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